Por Haroldo Pacheco da Silveira Santos 15/07/2011 às 10:35
Problemas locais com repercussões e interpretações globais.
Conheci poucos palestinos mas já simpatizava muito com a causa deles quando conheci algumas filhas de um palestino muçulmano. Duas delas trocaram o Islamismo pelo Catolicismo mas continuei achando o Islamismo melhor que a religião católica. A questão palestina é complexa. A partir de comentários de alguns bahá'ís passei a simpatizar um pouco com o lado israelense da questão, um pouco depois de antipatizar com este lado a partir de comentários de colegas de faculdade e da amiga astróloga Clarice que embora tivesse nascido judia não gostava do Judaísmo. Principalmente pelo confronto entre os jornais árabes e o "Visão Judaica" aqui de Curitiba minha simpatia passou a pender mais para o lado do governo de Israel, embora com muitas ressalvas.
Com exceção do que saiu na grande mídia brasileira o que mais fala a favor de Israel são depoimentos de alguns intelectuais de países árabes, pesquisas de opinião entre árabes habitantes de Jerusalém Oriental e o fato de palestinos terem destruído irracionalmente estufas de Primeiro Mundo que Israel lhes deixou de presente em território que desocupou. Um documentário de 2003 mostra o judeu Jeff Halpern protestando contra Israel e defendendo os palestinos que tiveram seus reservatórios de água destruídos pelo Exército israelense. Mas a produção deste vídeo teve participação do UNICEF, que errou feio em certas coisas numa campanha contra Israel.
Pela decisão da Conferência de San Remo de 1920 as terras de Judá, Samaria e Gaza pertenceriam a Israel. Mais tarde Israel aceitou que houvesse um Estado Palestino. Mas os palestinos não aceitaram que houvesse um Estado Judeu. Contudo os palestinos continuam tendo às vezes suas razões.
Algo parecido ocorre com Cuba. Os defensores do regime de Fidel tinham razão em certas coisas sobre Guantánamo e Posada Carriles. Mas a economia muito direcionada pelo Estado criou muito atraso tecnológico lá. E é indefensável o racionamento da alimentação que segundo documentário da Rede Vida obrigou um pai a buscar no mercado negro alimento específico de que sua filha necessitava.
Ainda não sei de onde veio o primeiro convite que recebi para ir a Cuba há quase 20 anos. Tinha a ver com Cinema. Estranhei porque eu só participara de uma reunião de partido comunista e assim como Lula não gostei. Eu tinha feito campanha para o PT mas quem não fez algumas besteiras na juventude? Depois que saí do PT não recebi mais convites para conhecer Cuba.
Uma das melhores coisas de Cuba é para mim a área da Saúde. Mas uma enfermeira fez uma observação importante: lá não havia epidemias porque havia pouco lixo. O que não depõe contra Cuba mas leva a refletir um pouco sobre o padrão de vida cubano. Critica-se muito - às vezes com razão - nossa democracia dita burguesa mas vale lembrar que qualquer democracia é melhor que qualquer ditadura. Provavelmente nunca irei a Cuba porque temeridade não é coragem.
Temeridade é por exemplo afirmar que o problema da Grécia é só o problema do capitalismo ou que todas as crises envolvendo este sistema sejam realizações de profecias do Marx. É preciso questionar quais os motivos que levaram uma ex-autoridade socialista famosa ser hoje defensora da política do FMI. E saber que capitalismo também evolui.
É preciso não embolar o meio-de-campo. Nem todo muçulmano é árabe, nem todo árabe é a favor dos palestinos, nem todo palestino é radical, nem todo israelense é judeu, nem todo judeu é sionista, nem todo sionista é de direita, nem todo direitista aprova o capitalismo como ele geralmente se apresenta na prática, nem todo capitalista é ganancioso e nem todo socialista defende os pobres. Às vezes são os socialistas os que mais prejudicam os pobres. Neste mundo complexo a Grécia não é só o elo mais fraco de um sistema nem a continuidade de uma grande civilização que acabou lá há muito tempo.
Email:: hapss200@yahoo.com.br
URL:: Facebook e Orkut "Haroldo Santos"