Rio de Janeiro, 26 de Maio de 2026

Países ricos têm de ceder nas negociações, afirma Amorim

Quarta, 18 de Maio de 2005 às 12:28, por: CdB

- A agricultura é o motor da Rodada (de Doha) - afirmou o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, durante debate com parlamentares na Câmara dos Deputados.

O Brasil participa das negociações da Rodada de Doha - iniciada na cidade de mesmo nome, capital do Qatar - na Organização Mundial do Comércio (OMC). Com a rodada, a OMC pretende aprovar uma série de acordos internacionais para promover o chamado "livre comércio".

Segundo Amorim, além desse setor, as negociações da próxima rodada girarão em torno de outros quatro temas, como: serviços, bens não-agrícolas, regras e desenvolvimento, como um tratamento diferenciado aos países em desenvolvimento.

- Não quero diminuir a importância de nenhuma dessas áreas. Não são temas que estão predominantemente em jogo, mas que, no fim da rodada, podem ressurgir - afirmou.

Celso Amorim acrescentou que os serviços têm aumentado a sua importância nas negociações internacionais. Nesse ponto, o objetivo, segundo ele, é preservar a flexibilidade dos países em desenvolvimento, excluir das negociações comerciais setores de políticas públicas como educação e saúde, e incluir a questão do dumping (prática que consiste em vender mercadorias abaixo do preço de mercado) nas negociações da área de serviços.

Segundo o ministro, a preocupação brasileira gira em torno da troca de facilidades entre os países.

- Países desenvolvidos sempre procuram nos convencer que a virtude é sua própria recompensa, que a liberação é a sua própria recompensa, mas eles não praticam essa máxima - declarou Amorim.

As facilidades têm relação com a eliminação de subsídios, que tornam a competição injusta para os países em desenvolvimento. Celso Amorim disse que o Brasil busca eliminar os subsídios à exportação no menor tempo possível; os subsídios internos que geram efeitos no mercado internacional e aumentar o acesso ao mercado com a redução de barreiras tarifárias.

O ministro participou do seminário "A oferta brasileira sobre o comércio de serviços", em que debateu com parlamentares questões referentes à Rodada de Doha e ao comércio mundial. Ele ressaltou a importância do debate, da participação da sociedade e suas conseqüências para o comércio.

- A vigilância pela sociedade civil e o Congresso Nacional é instrumento que fortalece a nossa posição negociadora - considerou.

A próxima reunião ministerial da OMC, como parte da Rodada de Doha, acontece em dezembro, em Hong Kong.

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