Rio de Janeiro, 01 de Novembro de 2026

Países pobres rejeitam nova proposta de exploração européia

A maioria dos líderes de países pobres da África rejeitou, neste domingo, os novos acordos comerciais propostos pela União Européia, dificultando os esforços para criar uma nova parceria econômica na primeira cúpula UE-África em sete anos. (Leia Mais)

Domingo, 09 de Dezembro de 2007 às 13:33, por: CdB

A maioria dos líderes de países pobres da África rejeitou, neste domingo, os novos acordos comerciais propostos pela União Européia, dificultando os esforços para criar uma nova parceria econômica na primeira cúpula UE-África em sete anos. O presidente senegalês, Abdoulaye Wade, rejeitou terminantemente a pressão exercida por Bruxelas para impor novos acordos comerciais até 31 de dezembro, quando chega ao fim a validade de um pacto de acordos comerciais preferenciais da Organização Mundial do Comércio.

A UE quer substituir os acordos comerciais prestes a terminar por acordos temporários, os chamados Acordos de Parceria Econômica (EPAs, na sigla em inglês), criticados por grupos de combate à pobreza por não garantirem proteção aos agricultores pobres e ao setor industrial frágil da África.

- Não vamos mais discutir os EPAs, já os rejeitamos. Vamos nos reunir para ver o que podemos colocar no lugar dos EPAs. Concordo com o espírito de se criar um novo relacionamento (com a Europa), mas precisamos definir o que é esse relacionamento. Está claro que a África rejeita os EPAs - disse Wade, em alto e bom tom, a jornalistas no segundo e último dia da cúpula realizada em Lisboa, às margens do Tejo.

Enquanto uma dúzia de países africanos concordou recentemente com acordos comerciais provisórios com a UE, a maioria dos líderes africanos afirma que precisa de mais tempo para preparar suas economias e sociedades mais fracas para o impacto do fim dos acordos comerciais preferenciais. O presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, rejeitou a alegação africana de que Bruxelas teria procurado pressionar fortemente os países com relação ao comércio, dizendo em comunicado à imprensa que "é indispensável salvaguardar os fluxos comerciais" entre Europa e África a partir de 31 de dezembro.

- Nosso objetivo sempre foi e ainda é concluir Acordos de Parceria Econômica com o objetivo de fortalecer a integração regional e levar o desenvolvimento genuíno aos países africanos. Obviamente isso é difícil, porque requer mudanças. É um desafio para africanos e europeus, e vai necessitar de tempo - disse Barroso.

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