O comércio internacional sozinho não conseguirá diminuir a pobreza nos países emergentes, e o crescimento econômico, apesar de estar melhorando, ainda deixa a desejar, avaliou a Organização das Nações Unidas (ONU).
Os países pobres precisam, cada vez mais, de ajuda para melhorar a situação econômica e social da população que, muitas vezes, vive com menos de 1 dólar por dia, informou a Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).
"A noção de que basta integrar-se ao comércio mundial e liberalizar a economia simplesmente não funciona. É preciso mais", disse Carlos Fortin, secretário-geral da UNCTAD, em entrevista em Genebra.
A pobreza em massa não se deve à falta de integração à economia global nem ao protecionismo -- noções populares nos anos 90, quando foi cunhada a máxima "comércio, em vez ajuda".
Em vez disso, os países pobres precisam de investimento em tecnologia, produção e criação de empregos para que o comércio internacional possa crescer, disse a agência.
"É uma ilusão pensar que a pobreza em massa nos países emergentes possa ser resolvida somente com a integração global e a expansão comercial", afirmou a UNCTAD.
O crescimento econômico nos 50 países mais pobres do mundo foi de 4,9 por cento de 2000 a 2002 contra 4,4 por cento no período anterior, longe do objetivo de 7 por cento, disse o relatório.
Vários fatores ameaçam o crescimento dos países pobres, como dívida externa e oscilações nas bolsas que mexem com o valor de commodities importantes, como café, cobre, algodão e açúcar.
A epidemia de Aids também representa uma ameaça: 37 por cento dos casos são registrados nas nações pobres, apesar de elas concentrarem apenas 11 por cento da população mundial.