Um dia depois da apresentação do que os EUA dizem ser provas irrefutáveis contra o Iraque, os aliados de Washington tratavam nesta quinta-feira de marcar ainda mais suas posições em relação à campanha americana contra o regime de Saddam Hussein. E o resultado mais visível, segundo analistas, foi a colocação de França e Grã-Bretanha em lados opostos da crise. Os dois países - que têm poder de veto no Conselho de Segurança - são considerados chave para as ambições dos EUA de angariar apoio na ONU para um ataque. Nesta quinta-feira, a França reforçou sua postura antiguerra numa entrevista concedida pelo ministro das Relações Exteriores, Dominique de Villepin. Ele disse à rádio Europe 1 que o momento não é apropriado para discutir uma nova resolução da ONU que abra caminho para uma guerra. - Uma segunda resolução? Não estamos no momento para isso - disse ele, acrescentando que uma "ampla maioria" no Conselho de Segurança queria que as inspeções continuassem. - Enquanto os inspetores de armas estiverem fazendo progressos, devemos perseguir essa opção - afirmou. O premier francês, Jean-Pierre Raffarin, por sua vez, disse que os inspetores são a chave para destruir qualquer arma química ou biológica iraquiana. Maior e mais fiel aliado da Casa Branca na campanha contra Bagdá, a Grã-Bretanha deu forte apoio à linha de ação de Washington. Nesta quinta-feira, o premier da Grã-Bretanha, Tony Blair, se encontrará com o chefe dos inspetores da ONU, Hans Blix, que está a caminho de Bagdá. Após o pronunciamento altamente técnico de Powell, que durou 80 minutos na quarta-feira, praticamente todos os 15 países-membros do Conselho de Segurança concordaram que o governo de Saddam não cumpriu as resoluções de desarmamento da ONU, mas poucos deram o passo de sugerir que o Iraque representa uma ameaça grande o suficiente para justificar uma guerra. A maioria dos comentários positivos sobre a apresentação de Powell veio de países que já apoiavam publicamente os EUA - incluindo Grã-Bretanha, Espanha e Austrália. Mas a apresentação não conseguiu convencer países que já haviam manifestado suas reservas contra a guerra - como França, Rússia e China, todos eles com poder de veto no conselho da ONU.
Países do Conselho de Segurança de lados opostos após discurso de Powell
Sexta, 07 de Fevereiro de 2003 às 16:00, por: CdB