Países da Otan rejeitam apelo por mais cooperação na Líbia
Por Matt Spetalnick e David Brunnstrom
BERLIM (Reuters) - Os Estados Unidos e outros países da Otan rejeitaram na quinta-feira o apelo da França e da Grã-Bretanha por uma contribuição mais ativa na campanha bélica em curso na Líbia, apesar das preocupações com um impasse militar.
A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, disse a ministros da Otan reunidos em Berlim que é vital para a aliança manter sua "resolução e unidade" contra o líder líbio Muammar Gaddafi. Mas ela não deu sinais de que Washington irá se envolver novamente em ataques contra as forças terrestres do regime.
Enquanto isso, um porta-voz dos rebeldes anti-Gaddafi na cidade de Misrata (oeste da Líbia) alertava para a iminência de um "massacre" caso a Otan não promova uma intervenção mais decidida. Os rebeldes disseram que 23 civis foram mortos na quinta-feira num ataque com foguetes numa zona residencial próxima ao porto.
Autoridades dos EUA minimizaram, sob anonimato, as queixas de Paris e Londres sobre o ritmo dos ataques aéreos contra as forças líbias, e disseram que os comandantes da Otan não solicitaram mais recursos.
"No que diz respeito aos EUA, no que diz respeito à Otan, temos as forças necessárias," disse uma das fontes. "Se os comandantes sentirem que precisam de mais capacidade, vão pedir."
A Espanha disse que não pretende aderir ao grupo de sete países da Otan (num total de 28) que participa de ataques contra as forças terrestres. A Itália, que no passado colonizou a Líbia, disse que precisaria escutar argumentos mais convincentes para aderir.
Apesar disso, o chanceler britânico, William Hague, se disse otimista com a possibilidade de reforços. "Há certamente alguns países que não descartam (fornecer mais aviação para bombardear o território líbio)," disse ele, admitindo que os EUA não são um desses países.
Numa entrevista coletiva, o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, disse que os ministros se comprometeram a fornecer "todos os recursos necessários" e a manter um "alto ritmo operacional contra alvos legítimos."
Ele acrescentou que o comandante militar supremo da aliança, o almirante norte-americano James Stavridis, precisa de "um pouco mais de aviação de precisão para os ataques terrestres."
Funcionários da Otan disseram que ele não se referia aos aviões A-10, ditos "explode-tanque," nem aos bombardeiros AC-130, que só os EUA possuem, e que autoridades francesas disseram que poderiam ser úteis para romper o impasse na batalha contra Gaddafi.
Os EUA realizaram a maior parte dos ataques iniciais contra as forças de Gaddafi, no mês passado, mas depois transferiram o comando à Otan e se limitaram a um papel de apoio. O Pentágono disse na quinta-feira que nas últimas duas semanas os aviões norte-americanos lançaram bombas em apenas três missões.
Nesta semana, o ministro francês da Defesa, Gerard Longuet, disse que os ataques de Gaddafi contra civis e rebeldes só serão contidos se os EUA se voltarem a bombardear os tanques e a artilharia do regime.
Fontes oficiais dos EUA disseram também que não houve em Berlim um consenso sobre a conveniência de começar a armar os rebeldes, mas que o governo de Barack Obama não descarta essa hipótese.
Um diplomata da Otan disse que a questão de armar os rebeldes não era apropriada para uma reunião formal da aliança, mas sugeriu que o tema poderia ser discutido informalmente.
A Otan está formalmente comprometida em impor o embargo armamentista da ONU contra a "Jamahiriyah líbia," um termo que segundo autoridades dos EUA se refere ao governo, e não necessariamente ao país. Diplomatas e analistas dizem que os rebeldes poderiam ser municiados clandestinamente.
(Reportagem de Adrian Croft, Julien Toyer e David Alexander)
Reuters