Rio de Janeiro, 26 de Maio de 2026

Países buscam sucessor para Protocolo de Kyoto

Uma reunião da ONU na segunda-feira deu um pequeno passo no sentido de encontrar um sucessor do Protocolo de Kyoto que consiga obter apoio dos EUA e dos países em desenvolvimento a partir de 2012. Mas Índia, China e Brasil disseram aos países ricos que façam mais para cumprir as promessas de reduzir suas próprias omissões de gases que causam o aquecimento global antes de tentarem ampliar o acordo. Eles fizeram um apelo para que os países ricos forneçam ajuda para o desenvolvimento de tecnologias energéticas que não causem poluição. Segundo o atual acordo, os países ricos precisam reduzir sua emissão de poluentes. (Leia Mais)

Segunda, 16 de Maio de 2005 às 18:22, por: CdB

Uma reunião da ONU deu na segunda-feira um pequeno passo no sentido de encontrar um sucessor do Protocolo de Kyoto que consiga obter apoio dos Estados Unidos e dos países em desenvolvimento a partir de 2012.

Mas Índia, China e Brasil disseram aos países ricos que façam mais para cumprir as promessas de reduzir suas próprias omissões de gases que causam o aquecimento global antes de tentarem ampliar o acordo. Eles fizeram um apelo para que os países ricos forneçam ajuda para o desenvolvimento de tecnologias energéticas que não causem poluição.

"Precisamos de soluções comuns para o desafio ambiental mais sério da nossa época. A mudança climática já é uma dura realidade", disse o ministro alemão do Meio Ambiente, Juergen Trittin, na abertura de um seminário de dois dias que reúne especialistas de 190 países.
"A proteção do clima não deve terminar em 2012. As empresas e investidores querem planejar além de 2012", disse ele.

O Protocolo de Kyoto entrou em vigor no dia 16 de fevereiro, após anos de debate e enfraquecido pela retirada dos Estados Unidos, que são o maior poluidor mundial. O seminário informal de Bonn é o primeiro passo para começar a considerar o que deve ser feito quando o protocolo expirar, em 2012.

Segundo o atual acordo, os países ricos precisam reduzir sua emissão de poluentes de gases do efeito estufa (oriundos de fábricas, automóveis e usinas elétricas) para 5,2 por cento abaixo dos níveis de 1990.

"É muito importante fazer os Estados Unidos e a Austrália participarem", disse o ministro argentino do Meio Ambiente, Ginés González García. "Este é um problema global - não podemos deixar os Estados Unidos de fora."

Ele disse que os países em desenvolvimento precisam descobrir uma forma de participar sem prejudicar seu desempenho econômico.

A comissão científica que assessora a ONU nesta questão prevê um aumento das temperaturas médias do planeta da ordem de 1,4 a 5,8 graus Celsius até 2100, o que pode provocar inundações, secas, derretimento das calotas polares e a extinção de milhares de espécies.

Os Estados Unidos abandonaram o tratado em 2001 para proteger sua indústria e por criticarem a exclusão dos países em desenvolvimento do esquema. O presidente George W. Bush quer mais pesquisas sobre o assunto.

"A política climática dos EUA reconhece a necessidade de ações em curto prazo, ao mesmo tempo em que se mantém o crescimento econômico que melhore o padrão de vida do mundo", disse o negociador norte-americano Harlan Watson à conferência.

Ele não apresentou qualquer meta para além de 2012. Watson disse que Washington vai gastar 5,2 bilhões de dólares neste ano em pesquisas sobre clima e fontes energéticas e em incentivos fiscais para a energia "limpa".

Grandes países em desenvolvimento, que não têm metas até 2012, dizem que os países ricos deveriam fazer mais para dar o exemplo.

"As emissões ainda estão crescendo (nas nações ricas), as transferências financeiras e tecnológicas (para os pobres) são mínimas", disse a delegada indiana Surya Sethi. Ela acrescentou que a Índia precisa de um crescimento econômico de oito por cento ao ano para reduzir a pobreza.

Espanha, Portugal, Irlanda, Grécia, Nova Zelândia e Canadá são países que, a despeito de terem assinado o protocolo, estão acima dos índices de emissão de 1990.

A delegação chinesa pediu mais ajuda tecnológica aos países pobres para que eles tenham mais eficiência energética e possam adotar em maior escala recursos como energia solar e eólica.
Ambientalistas dizem que levará anos para que o mundo decida o que vai substituir o Protocolo de Kyoto. "Serão talvez quatro anos de negociações", disse Jennifer Morgan, da entidade WWF, que defende ações mais rígidas contra o aquecimento global.

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