Rio de Janeiro, 01 de Fevereiro de 2026

País vai retomar a construção de Angra 3

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou na segunda-feira à noite a retomada da construção da usina nuclear de Angra 3, no Rio de Janeiro. as obras começarão este ano e a energia de Angra 3 entrará no mercado em 2013.(Leia Mais)

Terça, 26 de Junho de 2007 às 09:17, por: CdB

Depois de anos de análises e seguidos adiamentos, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou na segunda-feira à noite a retomada da construção da usina nuclear de Angra 3, no Rio de Janeiro. Se tudo correr dentro dos planos do governo, as obras começarão este ano e a energia de Angra 3 entrará no mercado em 2013. Especialistas do setor privado dizem que antes disso será necessário aumentar a quantidade de energia gerada no país para evitar um novo apagão.

Ao todo, sete dos oito ministérios que compõem o CNPE votaram pela aprovação da usina. O único voto contra foi o do Ministério do Meio Ambiente, contrário ao projeto principalmente por conta da destinação dos rejeitos nucleares. A ministra Marina Silva não participou da reunião de ontem. Ela foi representada por seu secretário-executivo, João Paulo Capobianco. A secretária de Saneamento e Energia de São Paulo, Dilma Silva Pena, que também integra o CNPE, também foi favorável à construção da usina. Assim, no total, foram oito votos a favor.

Antes do início das obras pela Eletronuclear, será preciso obter licença ambiental do Ibama. O ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, disse que o processo já foi iniciado e lembrou que Angra 3 será construída na mesma área de Angra 1 e 2, o que, segundo ele, facilita o processo.

Em entrevista concedida à Agência Brasil, a ministra Marina Silva disse que mantém a posição contrária pelo Brasil ter outras fontes renováveis sem "o risco da energia nuclear".

- Se vamos fazer um investimento de altíssimo custo para uma fonte que não se sabe o que fazer com os resíduos, é melhor investir em outras fontes. Essa é a posição que eu tenho assumido e nós vamos defendê-la dentro do conselho - afirmou Marina.

Os movimentos ambientalistas apóiam a postura da ministra.

- Será um grande retrocesso uma vez que o mundo inteiro tem se direcionado para a geração de energias limpas - afirma o coordenador da Campanha de Energia Nuclear do Greenpeace, Guilherme Leonardi. - Países como a Alemanha, a Espanha e a Suécia, entre outros, já abandonaram a idéia de usar a energia nuclear para gerar energia

Leonardi opina que a retomada das obras será desperdício de recursos públicos, com os quais se poderia gerar mais energia de outras fontes em menos tempo e sem problemas com a produção de lixo atômico. Ele vê na retomada das obras de Angra 3 o estabelecimento de uma relação do programa militar brasileiro que iniciou a usina, com um programa civil, para o suprimento energético.

A usina de Angra 3 terá capacidade para gerar cerca de 1.350 megawatts (MW). O governo estima investimento de R$ 7,2 bilhões na sua construção.

O Ministério de Minas e Energia fará um estudo detalhado de todos os custos que envolvem a construção da usina, inclusive a destinação dos resíduos, para definir quais serão as tarifas. O ministro interino disse que terão de ser atualizados estudos feitos em 2006 que apontavam para um valor de R$ 140 por MW/hora. Hubner, entretanto, disse que as condições econômicas do País, e de financiamento, são hoje mais favoráveis.

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