Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

País tem 5 milhões de crianças no trabalho

Quinta, 24 de Fevereiro de 2005 às 08:44, por: CdB

Dados divulgados pelo Instituto Brasilero de Geografia e Estatística revelam que, em 2003, havia 5,1 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos de idade trabalhando no Brasil. Na faixa etária de 5 a 13 anos, havia 1,3 milhão de crianças ocupadas, o que corresponde aproximadamente à população do Estado de Tocantins. Somente na região Nordeste havia 700 mil nessa faixa de idade trabalhando. O Estado da Paraíba apresentou a maior proporção de crianças de 5 a 13 anos ocupadas (39,4%).

A Síntese dos Indicadores Sociais do IBGE mostra ainda que a maioria das crianças e adolescentes de 10 a 17 anos de idade que estavam ocupadas iniciaram suas atividades precocemente no mercado de trabalho.

No entanto, em relação a 2002, houve uma ligeira redução da proporção de crianças que começaram suas atividades com menos de 15 anos de idade. Nas áreas rurais, o trabalho precoce é mais acentuado: de 1,8 milhão de crianças de 10 a 17 anos ocupadas nessas áreas, 37,6% começaram a trabalhar com menos de 10 anos de idade.

Na área rural, o rendimento das crianças de 10 a 17 anos contribuía, em 2003, com 21,5% do rendimento familiar. No Nordeste, a contribuição das crianças no rendimento familiar vem caindo, ao passo que na área rural do Sudeste, aumentou em relação a 2002. Cerca de 25% das crianças ocupadas no Sudeste contribuíam com mais de 30% do rendimento total da família.

No Estado do Amazonas, esse percentual chegou a 42%. Em todo o Brasil, quase a metade dessas crianças viviam em famílias com rendimento familiar per capita de até meio salário-mínimo, sendo que no Nordeste essa proporção chegava a 73,3%. Verificou-se ainda que 38% das crianças e adolescentes ocupados não recebiam remuneração pelo seu trabalho. Na faixa etária de 10 a 15 anos, essa proporção era ainda maior (53,2%) e chegava a 64,8% no Nordeste.

Em 2003, a proporção de crianças e adolescentes que só trabalham apresentou uma ligeira redução de 0,5 ponto percentual em relação ao ano anterior, atingindo 3,4%. A parcela daqueles que trabalham e estudam também reduziu de 15,3% para 13,9%. Consequentemente, observou-se um aumento de cerca de 2 pontos percentuais na proporção de crianças e adolescentes que só estudam.

As regiões Nordeste e Sul apresentaram as maiores proporções de crianças e adolescentes de 10 a 17 anos de idade ocupados (seja só trabalhando ou trabalhando e estudando): 22,5% e 20,3%, respectivamente. No Piauí e Ceará, uma de cada 4 crianças de 10 a 17 anos de idade estava ocupada, em 2003.

Os efeitos do trabalho entre crianças e adolescentes vão além do abandono escolar: o atraso escolar atingia 67% dos estudantes de 10 a 17 anos ocupados, em 2003.

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