Rio de Janeiro, 21 de Outubro de 2026

País precisa de maior competitividade ante suas contas externas

Quarta, 24 de Agosto de 2011 às 06:17, por: CdB

A propósito dos US$ 12,4 bi gastos por brasileiros em suas viagens ao exterior neste ano e o déficit das contas externas brasileiras, que somou US$ 3,49 bilhões em julho (leia mais neste blog)... Simplesmente não podemos ler esses números isoladamente. É preciso levar em conta, também, que os investimentos diretos externos somaram US$ 5,97 bi só no mês passado. O valor é mais que suficiente para financiar as transaçõs do Brasil com o exterior, apesar do déficit registrado no mês de julho.

É bom lembra que, no ano, o déficit das contas externas soma US$ 28,9 bi, menos da metade da previsão do BC para 2011. Por sua vez, os investimentos diretos de US$ 38,5 bi em 2011 já representam 70% do esperado para o ano. A boa safra de investimentos estrangeiros direto não significa, contudo, que não devamos nos preocupar com nossas contas externas. Pelo contrário, temos de aumentar as exportações e substituir importações em vários setores.

O que não podemos é ter ilusões: mesmo com um câmbio menos valorizado e com menos juros e impostos, o que resolve é o aumento de nossa produtividade e competitividade. É preciso ficar atento. Em particular em relação à indústria. Na década de 1980, o setor industrial representava cerca de 38% do PIB brasileiro. Em 2010, a CNI informou em um documento que a sua participação está em 23%. O governo não está omisso. Para fomentar uma maior competitividade na indústria no país e, ao mesmo tempo, defendê-la da agressividade do setor manufatureiro de muitos países – ávidos por novos mercados - e da guerra cambial que se trava internacionalmente, lançou no início do mês o Plano Brasil Melhor. O pacote é amplo: abrange uma renúncia fiscal estima em R$ 25 bi em dois anos.

Desoneração da folha para alguns setores

Para quem não se lembra, entre as medidas anunciadas, consta a redução a zero da alíquota de 20% para o INSS nos setores sensíveis ao câmbio e à concorrência internacional, assim como nos setores de uso intensivos de mão-de-obra: confecções, calçados, móveis e softwares.

É preciso, ainda, melhorar das condições de infraestrutura e logística; reduzir a burocracia e, claro, incentivar a participação das pequenas e das médias empresas  na economia. Outra questão importante são as estratégias de integração com a América Latina. Elas possibilitarão uma inserção internacional competitiva com capacidade de gerar maior valor agregado local. Estamos falando de economias de escala e esquemas de cooperação e intercâmbio.

No campo da inovação -um ingrediente fundamental da competitividade - as patentes registradas pelo país, comprovam que estamos andando de lado. O Brasil caiu um ponto, e ocupa agora a 24ª posição entre 142 países membros do Tratado de Proteção de Patentes da Organização Mundial de Propriedade Industrial (OMPI). Em 2010, por aqui, as empresas que mais pediram proteção de patente no Brasil foram a americana Whirlpool, com 39, a Petrobras, com 15, e a europeia Electrolux, com 12.

Parques tecnológicos

Parques tecnológicos são outro indicador de inovação na economia. Ao menos esse locais que procuram otimizar a interação entre o setor produtivo e e o setor produtivo e os centros de conhecimento já são 75 no país. E, segundo a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (ANPROCTEC), já somam 500 empresas e geraram mais de 26 mil empregos. É um começo.


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