Sem crescimento continuado e sustentável da economia não há como gerar empregos. A afirmação foi feita pelo secretário-executivo do Ministério do Trabalho e Emprego, Marco Antônio de Oliveira, em entrevista nesta quinta-feira.
- Se a economia se expandir, nós temos chance de expandir também os empregos - disse ele a jornalistas em Brasília.
Segundo Oliveira, o governo está aberto a negociações.
- Há espaço na legislação para mudanças, para criar um ambiente mais propício à geração de empregos.
Em São Paulo, o deputado federal Luiz Antônio Medeiros (PL-SP), ex-presidente da Força Sindical, afirmou que o governo tem dado exemplos de que está aberto ao diálogo, como quando convocou as centrais sindicais para discutir o salário mínimo.
- Não sei porque o governo não nos chamou para discutir a questão do incentivo à geração de empregos - destacou.
Para Medeiros, as empresas que empregam deveriam pagar menos impostos.
- Não basta o crescimento se não houver incentivo - disse. Segundo ele, a obrigatoriedade da prestação do serviço militar impede que os jovens ingressem cedo no mercado de trabalho.
A diretora da Organização Internacional do Trabalho (OIT-Brasil), Laís Abramo, lembrou a crise do emprego dos anos 80. Segundo ela, nessa época foram implementadas muitas políticas, mas não há evidencias de que essas políticas tenham aumentado significativamente o número de empregos.
- As políticas de incentivo vão interferir nos rumo do próprio crescimento econômico - salientou.
Abramo concorda que só o crescimento não basta:
- É preciso haver políticas de incentivo.
A diretora disse ainda que a referência mundial da diminuição da taxa trabalho infantil deve ser comemorada. No entanto, lamentou:
- Ainda existe um número expressivo de crianças trabalhando. Ela concedeu a entrevista no estúdio da TV Nacional, em Brasília.
Para o secretário Municipal de Trabalho e Emprego do Rio de Janeiro, Wanderley Mariz, a questão trabalhista não deve ser ponto vista ideológico, mas pragmático.
- Uma coisa é regulamentação e flexibilização dos direitos trabalhistas, outra coisa é redução de carga tributária na folha de pagamento - afirmou.
No estúdio da TVE Brasil, no Rio de Janeiro, ele disse que criança na escola não é criança fora da rua.
- Tem de se partir para a jornada ampliada, programas como o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), como o Agente Jovem, que façam com que as crianças tenham tempo ocupado extra-classe - afirmou. Segundo Mariz, além de contribuir para a erradicação do trabalho infantil, os programas de esportes aumentam a auto-estima das crianças.