Rio de Janeiro, 23 de Abril de 2026

País perdeu US$ 150 milhões com surto de febre aftosa

Sexta, 10 de Fevereiro de 2006 às 10:21, por: CdB

Após quatro meses do registro de focos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul e no Paraná, o Ministério da Agricultura informou, nesta sexta-feira, que o país deixou de ganhar US$ 150 milhões, de outubro a dezembro, se comparado o mesmo período de 2004. Para o ministério, no entanto, o maior prejuízo foi a desaceleração do crescimento das exportações, que passou de 30% para 5%. Até agora, 56 países suspenderam a compra de carne brasileira.

De acordo com o diretor do Departamento de Assuntos Sanitários do Ministério da Agricultura, Odilson Ribeiro, a situação está mudando e alguns países já estão retomando a compra da carne brasileira, como Argentina e Uruguai, por exemplo.

- O impacto do foco de febre aftosa foi muito pequeno. Os grandes frigoríficos exportadores têm hoje uma capilaridade que permite o remanejamento de sua produção para exportação - informou.

Ribeiro disse que o Brasil teve inclusive razões para comemorar como, por exemplo, a venda de carne para mais de 150 países. Ele falou que até agora não surgiram novos focos e, se continuar assim, o Brasil pode voltar a se declarar livre da doença daqui a dois meses.

- Depois de seis meses numa região onde os animais foram abatidos e sem ocorrência de novos focos essa região pode ser reabilitada e aí a gente acredita que a grande maioria volte a comprar a carne brasileira sem tantas restrições como atualmente.

Para o diretor executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antônio Jorge Camardelli, apesar do embargo o Brasil garantiu o primeiro lugar no ranking de exportações sendo o país mais competitivo no setor.

- O Brasil, com mais de 200 milhões de cabeças de gado, genética de ponta, mais de 80 milhões de hectares agricultáveis disponíveis, é hoje e pelos próximos 30 a 40 anos o país mais competitivo, a ponto de produzir um quilo de carne a US$ 0,90 - disse.

Segundo a Abiec, no ano passado o volume de exportações ficou em torno de 2,3 milhões toneladas o que rendeu cerca de US$ 3,14 milhões. Um volume 18% maior que no ano anterior. Os países que mais compraram carne brasileira foram Rússia e Egito. Para 2006 a expectativa do governo é de que as exportações cresçam cerca de 10% a 15% em relação a 2005.

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