Os pais de um soldado morto no Iraque e uma defensora dos direitos humanos nesse país arrancaram as maiores ovações da noite durante o discurso sobre o Estado da União do presidente dos EUA, George W. Bush.
Os pais do sargento da infantaria da Marinha Byron Norwood, morto durante o ataque a Faluja, ao norte de Bagdá, ocupavam dois dos assentos de honra no palco da primeira-dama, Laura Bush.
Safia Taleb al Suahil, uma das principais defensoras dos direitos humanos no Iraque, também se sentava junto à primeira-dama.
Bush, que dedicou boa parte de seu discurso à situação no Iraque, lembrou que há onze anos, o pai de Safia foi assassinado pelos serviços secretos iraquianos.
"Há três dias em Bagdá, Safia finalmente pôde votar sobre os líderes de seu país. Nos sentimos honrados de estar conosco esta noite", a apresentou o presidente.
Imediatamente, o Senado e a Câmara de Representantes em plenário se pôs de pé e começou a aplaudir, enquanto a mulher mostrava com orgulho o dedo indicador.
Todos os que votaram nas eleições de domingo tinham que colocar este dedo em tinta indelével para evitar possíveis casos de pessoas que votassem várias vezes.
A mancha no dedo veio assim a ser o símbolo de desafio aos terroristas que ameaçaram com represálias contra os que fossem às urnas e tornar o dia eleitoral em um banho de sangue.
Mas o momento mais emotivo do ato aconteceu quando Bush apresentou os Norwood e leu parte de uma carta que a mãe do soldado, Janet, escreveu para ele depois da morte de seu filho, na qual mencionava que a última vez que o viu, o sargento a abraçou e lhe disse: "você já fez sua parte, mamãe. Agora cabe a mim te proteger".
- Com corações agradecidos, honramos os defensores da liberdade e nossas famílias militares, representadas aqui esta noite pelo pai e a mãe do sargento Norwood. - declarou o presidente.
Enquanto ambos ficavam de pé, era evidente a emoção nos rostos dos congressistas, que aplaudiram durante quase um minuto.
Um total de 150.000 soldados americanos estão destacados no Iraque. Desde a invasão do país árabe, há quase dois anos, morreram ali mais de 1.400 militares dos EUA e mais de 10.000 ficaram feridos.
Pais de soldado morto no Iraque e ativista são ovacionados
Quinta, 03 de Fevereiro de 2005 às 04:33, por: CdB