Os pais da norte-americana Terri Schiavo, que sofreu danos cerebrais há 15 anos, apelaram à Suprema Corte dos EUA no fim da noite desta quarta-feira para que o órgão ordene a recolocação imediata do tubo de alimentação na filha deles, que pode morrer em breve caso isso não seja feito.
Os advogados de Bob e Mary Schindler fizeram o pedido tarde da noite, depois de ter visto sua pretensão rejeitada por uma corte de apelação de Atlanta, horas antes.
- Sem a intervenção dessa corte, Terri terá uma morte horrível em questão de dias - disseram os advogados dos pais em um pedido de 40 páginas.
Schiavo, de 41 anos, que sofreu grandes danos cerebrais 15 anos atrás devido a um ataque cardíaco, sobreviveria por uma ou duas semanas sem o tubo de alimentação.
Os Schindler tentam há sete anos manter a filha viva e enfrentam o marido e guardião legal dela. Michael Schiavo teve apoio em várias decisões tomadas pela corte estadual em sua posição de que a mulher está em estado vegetativo persistente e não gostaria de continuar vivendo assim.
Desde que o tubo de alimentação foi retirado recentemente por ordem de uma corte estadual, os pais lutam para vê-lo recolocado e contam com o apoio de ativistas cristãos, do Congresso norte-americano e do presidente do país, George W. Bush.
A Suprema Corte, na semana passada, já se recusou por duas vezes envolver-se na questão e são consideradas bastante pequenas as chances de vitória dos pais de Schiavo agora.
- Se o tubo não for reinserido por ordem da Justiça, Terri morrerá antes de a corte ser capaz de avaliar os méritos da questão - disse o pedido apresentado à Suprema Corte.
Normalmente, cabe à Justiça estadual julgar os casos envolvendo o direito de morrer. Mas o Congresso aprovou uma lei especial de última hora permitindo aos Schindler recorrer à Justiça federal.
Enquanto as esperanças dos pais de Schiavo diminuíam, o irmão do presidente, o governador da Flórida, Jeb Bush, pediu à Justiça que concedesse a guarda da mulher ao Estado porque havia denúncias de abuso e dúvidas quando ao estado mental dela.
O juiz George Greer, o mesmo juiz estadual que permitiu a retirada do tubo de alimentação, analisava a petição do governo.