Pais chineses "derramaram lágrimas" na quarta-feira ao pedir que o governo proteja seus filhos contra a obscenidade na Web, declarou um ministro nesta quinta-feira, justificando as restrições ao acesso à Internet na China.
O governo chinês fechou centenas de sites em uma campanha ainda em curso de repressão à pornografia e "conteúdo vulgar" online, que em certos casos serviu para reprimir dissidentes, despertando críticas de que Pequim está cerceando severamente a liberdade de expressão.
A campanha é parte de um aperto mais amplo dos controles sobre a mídia, antes do 60º aniversário de fundação da China comunista, em outubro.
Mas Li Yizhong, ministro da Indústria e Tecnologia da Informação, criticou como infundadas quaisquer preocupações quanto aos controles chineses sobre a Internet.
– Algumas pessoas tentam alargar e politizar essa questão, e até atacam os nossos controles administrativos sobre a Internet –, disse ele em entrevista coletiva.
– Isso não condiz com a realidade e é uma irresponsabilidade.
O governo só está impedindo que a "obscenidade envenene os jovens", declarou.
– O governo recebe muitos apelos de pais que derramam lágrimas e pedem que salvemos seus filhos –, acrescentou.
– Creio que esse não seja apenas um apelo dos pais, mas o desejo comum da sociedade.
Em junho passado, o governo recuou quanto à imposição de um plano que exigiria que fabricantes de computadores instalassem um software de filtragem para bloquear pornografia e outras formas vulgares de conteúdo.
Li afirmou que escolas, cibercafés e outros locais públicas ainda instalarão o software, mas nenhum consumidor comum será forçado a comprar computadores que o tragam o programa pré-instalado.
– Creio que isso será conduzido da forma apropriada –, disse Li, sem acrescentar detalhes.