A aids está matando cerca de dez pessoas por hora em Malauí, e o governo do país africano não está conseguindo conter a crise, disse o ministro da Saúde, Heatherwick Ntaba.
- É um desastre, porque significa que o país está perdendo 240 pessoas todo dia para o HIV/aids, e em dez anos um número estimado de 876 mil pessoas vai morrer se essa tendência continuar - disse Ntaba numa entrevista na noite de segunda-feira.
O Malauí, com uma população de cerca de 11 milhões de habitantes, é um dos países mais afetados pela pandemia de aids na África subsaariana, onde estão quase dois terços dos infectados pelo vírus HIV do mundo todo. O governo acredita que 1 milhão de malauianos estejam infectados pelo HIV. Cerca de 640 mil pessoas morreram em consequência da doença desde 1985.
Segundo Ntaba, a doença está avançando rápido demais, e o país não consegue desenvolver estratégias para combatê-la a tempo, além de estar perdendo pessoal especializado para a Aids ou para empregos mais bem pagos no exterior. De acordo com ele, 90% das vagas para médicos do país não estão preenchidas. O mesmo ocorre com 35% das vagas de enfermagem.
O Malauí gasta cerca de US$ 12 per capita ao ano com a saúde, um terço dos US$ 36 recomendados por autoridades do ministério. Números do ministério mostram que cerca de 46% das novas infecções em adultos ocorrem em pessoas com menos de 24 anos, e 60% delas são mulheres.
O país iniciou no ano passado um programa para distribuir drogas anti-retrovirais gratuitamente, mas apenas 50 mil pessoas estão recebendo os medicamentos.