Rio de Janeiro, 17 de Maio de 2026

Páginas amarelas

Desde já há vários anos, venho lendo as páginas amarelas com Atenção. É. Assim mesmo. Atenção com maiúsculo. A entrevista a Golbery de Couto e Silva nos anos oitenta, final da ditadura brasileira....a entrevista a Guillermo O´Donnell, lá pelos fins dos 90..... a entrevista a Beatriz Sarlo ahora, no número 13 (será coincidência?). Em pleno furor editorial dos Civita contra o regime democrático....governo operário, trabalhadores.... Folheando o catálogo publicitário fantasiado de revista de notícias, ou de interesse geral, como está catalogada pelo Yahoo! a revista semanal da Editora Abril dedicada a.....quê? (Leia Mais)

Domingo, 17 de Julho de 2005 às 10:14, por: CdB

Desde já há vários anos, venho lendo as páginas amarelas com Atenção. É. Assim mesmo. Atenção com maiúsculo. A entrevista a Golbery de Couto e Silva nos anos oitenta, final da ditadura brasileira....a entrevista a Guillermo O´Donnell, lá pelos fins dos 90..... a entrevista a Beatriz Sarlo ahora, no número 13 (será coincidência?). Em pleno furor editorial dos Civita contra o regime democrático....governo operário, trabalhadores.... Folheando o catálogo publicitário fantasiado de revista de notícias, ou de interesse geral, como está catalogada pelo Yahoo! a revista semanal da Editora Abril dedicada a.....quê? 

Verdadeiramente nesses anos todos, lendo e relendo o catálogo publicitário com as sempre atraentes páginas amarelas iniciais, obrigado, como todo leitor e leitora -eleitor, eleitora-a minha curiosidade tem ido em aumento. Semanas atrás, uma entrevista da Carta Capital ao sociólogo Wanderley Guilherme dos Santos chamou-me a atenção. A fúria da chamada "grande" imprensa brasileira que põe e depõe presidentes. Suicidaram Jango, impuseram os generais de 1964-1985. Hoje festejam o que imaginam ser o fim do regime democrático ou, ao menos, a intromissão desse sócio molesto, o PT, no que era um festim de poucos.

O editorial das Páginas Amarelas -ou deveria dizer Páginas Marrons?-diz ter provas, e não apenas estar se somando ao denuncismo que tomou conta da imprensa venal de repente, frente às denúncias de corrupção no alto escalão do Governo Lula. Maquiavel sentir-se ia um bebê de colo frente às astúcias lingüísticas usadas pela imprensa marrom para empurrar o Presidente Lula ao suicídio, para empurrar o Brasil ao regime autoritário de que tanto se beneficiaram os capitais que pagam a quem se vende, seja jornalista, deputado, cantor, quem for. O catálogo publicitário baba, imaginando tanques e torturas outra vez.

A editora publica -em outra revista do grupo-- louvores super interessantes ao regime nazista, misturados a louvações à cura xamânica, bem ao gosto de uma intelectualidade sem raízes que serviu ontem ao tucano reeleito após compra de votos nunca investigada, intelectualidade que foi socialdemocrata ou autocrata ou democrata ou o que melhor conviesse, e que vê na disputa pluralista e democrática uma ameaça à divisão do bolo delfinescamente adiada para sempre num país que há 500 anos estupra mulheres e operários. Que país é este? Há muitos Brasis, sabemos desde Paulo Freire e Gilberto Freyre. Desde Francisco de Oliveira a Severino Retirante. Mas festejar, como Diego Ista, colunista marrom, que somos todos corruptos e o Brasil é o pior país possível, é ir longe demais.

"A gente é uma porcaria. A gente é fanático por esporte. A gente é corrupto," delira o fascista da Abril na edição número 13 das Páginas Marrons, página 107. Se apostam na quebra moral do Presidente, se apostam num novo suicídio -parecem gostar da idéia-comecem por casa. Ninguém precisa usar um filho deficiente para ganhar leitores. Ninguém precisa vender um terço das páginas da revista a bancos, financeiras, grandes empresas -grandes em faturamento-para se achar dono de sujar a vida das pessoas. Querem autoritarismo? Vão para Estados Unidos. Querem terror? Vão para a Casa Branca. Deixem a Nossa América respirar.

Têm saudades dos campos de concentração? Tranquem-se no prédio da editora e taquem fogo a si mesmos, que se os bombeiros souberem cuidar, não haverá vítimas. Apenas limpeza étnica. Ética. Deliro? Revisem os últimos exemplares, um após outro, da revista Páginas Amarelas e digam se vêem algo mais do que saudades do militarismo, saudades do samba de uma nota só. De frente, marche. Os argentinos não temos saudades do militarismo. As leis de impunidade que protegiam os genocidas -que a Super Interessante nunca descobrirá como herdeiros de Hitler-caíram. E a democracia -como Beatriz Sarlo bem diz, é para nós -com todas as suas falhas -o melhor dos regimes. Sai Duce, sai! Sai, Satã, sai! Xô, Hitler!

Caso ho

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