O inquérito sobre Paes está entre os 76 que foram abertos por autorização de Fachin contra parlamentares, ministros de Estado e outras autoridades
Por Redação, com Reuters - do Rio de Janeiro:
O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PMDB) foi acusado por delatores da empreiteira Odebrecht de ter recebido mais de R$ 15 milhões ante o interesse da empresa na facilitação de contratos relativos à Olimpíada de 2016, de acordo com pedido de inquérito da Procuradoria-Geral da República acatado pelo Supremo Tribunal Federal.
O delator Benedicto Barbosa da Silva Júnior disse que a Odebrecht repassou a Paes cerca de R$ 11 milhões no Brasil. E mais cerca de R$ 5 milhões por meio de contas no exterior. Apresentou documentos que em tese corroboram as informações de seu depoimento. Segundo o pedido do MPF citado na decisão do ministro do Supremo Edson Fachin.
Além da denúncia de Benedicto Júnior. Outro delator da empreiteira, Leandro Andrade Azevedo, também acusou Paes de facilitar um repasse de R$ 3 milhões da empreiteira. A pretexto da campanha a deputado federal de seu aliado Pedro Paulo (PMDB-RJ). Segundo os delatores, Paes teria o apelido de "Nervosinho" na planilha da Odebrecht de pagamentos a políticos.
O inquérito sobre Paes está entre os 76 que foram abertos por autorização de Fachin contra parlamentares, ministros de Estado e outras autoridades. Com base nas delações da Odebrecht no âmbito da operação Lava Jato. As informações foram disponibilizadas pelo STF no Diário da Justiça Eletrônico, em edição extra, na noite de terça-feira.
Acusação
Em nota divulgada por sua assessoria, o ex-prefeito do Rio disse que a acusação de que teria recebido vantagens indevidas. Por obras relacionadas aos Jogos Olímpicos é "absurda" e "mentirosa".
A Odebrecht está entra as cinco grandes empreiteiras que foram responsáveis pela maior parte das obras orçadas em cerca de R$ 40 bilhões de infraestrutura e de arenas esportivas para os Jogos do Rio.
O Ministério Público Federal (MPF) já havia anunciado investigações sobre o projeto de renovação da região portuária do Rio, chamado de Porto Maravilha, com custo estimado em R$ 8 bilhões, e a expansão do metrô da cidade até a Barra da Tijuca, e a polícia já havia encontrado referências da Odebrecht a pagamentos de suposta propina relacionada a esses dois grandes projetos.