A China, que não reconhece o papa, prendeu dois padres católicos romanos idosos, um deles bispo que vem sendo pressionado a romper relações com o Vaticano, disseram grupos de direitos religiosos dos Estados Unidos.
A China comunista rompeu elos com a Santa Sé nos anos 1950 depois de expulsar um clérigo estrangeiro, e força os fiéis a participarem do grupo patrocinado pelo estado Associação Católica Patriótica da China - que promete lealdade a Pequim, em vez do papa - se quiserem praticar a religião abertamente.
O Vaticano estima ter cerca de oito milhões de seguidores na China, comparados aos cerca de cinco milhões que seguem a associação apoiada pelo governo. A Santa Sé critica Pequim pela repressão da religião no país mais populoso do mundo e reconhece oficialmente Taiwan, rival diplomático da China.
O bispo Yao Liang, da área de Xiwanzi, na província de Hebei, foi preso na quinta-feira e o padre Wang Jinling, de Zhangjiakou, Hebei, na sexta-feira, um dia antes da morte de João Paulo, disse a Fundação Cardeal Kung em comunicado.
O grupo não disse quais são as acusações contra os dois, ambos na faixa dos 80 anos de idade. A polícia na província, vizinha de Pequim, disse que não sabia nada sobre as prisões.
- Antes de sua prisão, o bispo Yao vinha sofrendo crescente pressão da autoridade chinesa para romper laços com o papa e aderir à Igreja Católica (da associação patriótica) - disse.
A polícia em Hebei monitora outros padres 24 horas por dia, disse o grupo.
- A autoridade chinesa está intensificando a vigilância de bispos clandestinos - disse a fundação.
Neste domingo, Pequim manifestou condolências pela morte do papa e disse esperar melhorar as relações com o sucessor.
- A China deseja melhorar as relações com o Vaticano e espera que a Santa Sé, sob a liderança do novo papa, faça algo que conduza à melhoria das relações - disse um comunicado do Ministério do Exterior.
Um dia antes, o Vaticano anunciou que a China prendeu recentemente dois bispos católicos romanos idosos, um padre e um fiel. Não foram apresentados motivos.