Um padre polonês acusado de espionar o papa João Paulo II disse que havia pego dinheiro dado por um suposto agente do serviço secreto, mas negou que tenha sido um espião.
- Nunca fui um agente. Podem me chamar de bobo ou ingênuo, mas não de espião - afirmou Konrad Hejmo na edição desta sexta-feira do jornal italiano La Repubblica.
Uma agência estatal polonesa que revisava arquivos da era comunista disse que Hejmo passava informações sobre o pontífice nos anos 1980. O padre era responsável pelos peregrinos poloneses que iam ao Vaticano e tinha acesso a João Paulo II.
Hejmo afirmou que um agente polonês sediado em Colônia, na Alemanha, havia visitado Roma pouco depois de João Paulo ter se tornado papa, em 1978, e conversado com diversos padres.
- Esse agente também me deu dinheiro através de padres - contou Hejmo ao La Repubblica, acrescentando que o agente havia morrido de câncer.
O padre não especificou por que achava que recebia o dinheiro e o o Vaticano não quis comentar o assunto.
O instituto que cuida e pesquisa os arquivos comunistas afirmou que tinha indícios de que Hejmo foi um informante consciente do serviço de segurança SB.
O SB tentou se infiltrar na Igreja nos anos 1980 devido ao apoio dela à oposição anticomunista, liderada pelo movimento Solidariedade.