Rio de Janeiro, 14 de Agosto de 2026

Padre de Minas Gerais é acusado de pedofilia

Quinta, 14 de Agosto de 2003 às 22:06, por: CdB

A Justiça decide, nos próximos dias, o destino do padre Bonifácio Buzzi que é acusado de molestar sexualmente um menino de 9 anos no distrito de Mainart, zona rural de Mariana. É que um dos laudos psicológicos a que foi submetido apontou que o sacerdote tem um distúrbio psicológico.
 
Até a decisão judicial, o acusado permanecerá internado no Manicômio Jorge Vaz, em Barbacena.

O juiz Antônio Carlos Braga informou que agora as testemunhas de defesa e de acusação, serão ouvidas.
 
- Se não ocorrer contratempos ou novos incidentes, a decisão desse caso sairá muito mais rápido do que muitos imaginam. Não sei qual será o resultado do julgamento, mas o tratamento para o caso dele foi, inclusive, indicado nas profecias. Até que saía a decisão, lá (no manicômio) ele deve permanecer - ressaltou o juiz.

A comunidade de Mainart, distrito onde a criança teria sido molestada, ficou chocada com o escândalo de pedofilia. Para os moradores, o religioso, de 41 anos, estava acima de qualquer suspeita.
 
Ninguém sabia, mas, no começo de 1995, o sacerdote já havia sido denunciado as autoridades da igreja em Joinville (SC). Teria molestado um menino que morava próximo a paróquia onde ele trabalhava. O caso nunca chegou à Justiça. Só veio à tona após o escândalo em Mariana.

No mesmo ano (1995), o padre foi submetido a um tratamento psiquiátrico no Rio de Janeiro, mudou-se para Santa Bárbara (MG), na região de Mariana, e outra vez foi acusado de atentado violento ao pudor contra crianças.
 
Meses depois, a Justiça o condenou a 13 anos e seis meses de prisão, por abusar de dois meninos, um de cinco e outro, de 11 anos. Dois dos 11 anos da pena foram cumpridos na casa do arcebispo de Mariana, dom Luciano Mendes de Almeida.
 
O pedido de prisão domiciliar tem a assinatura do arcebispo. Em 1999, Bonifácio Buzzi ganhou liberdade condicional. Com autorização da arquidiocese, continuou a rezar missas. Até se envolver num novo escândalo há um ano.

Em depoimento ao Ministério Público, o menino contou que saiu de carro com o padre duas vezes. No começo, o convite era para uma pescaria. Mas quando chegou à beira do riacho, o padre teria começado a molestar o menino.

Depois do abuso sexual, o acusado teria dado dinheiro ao garoto, segundo depoimento do pai da vítima. Em depoimento à Justiça, o padre disse que as crianças fantasiaram a história.

O arcebispo de Mariana, dom Luciano Mendes de Almeida, não foi encontrado para falar sobre o assunto. O padre Paulo Barbosa defendeu o colega negando que Buzzi tenha abusado do menino.

- Estão condenando uma pessoa por uma coisa que ninguém viu ele fazer - disse o arcebispo.

Apesar do diagnóstico de distúrbio mental, o padre Bonifácio Buzzi vai continuar com a batina. Pelo menos foi o que garantiu o padre Paulo Barbosa.
 
- Ele é padre para sempre, mas isso não quer dizer que ele vai deixar de ser humano. O bem que ele fez é maior que o mal que tenha cometido. Ninguém tem prova de nada? - sustentou Barbosa.

A família do menino que acusa o padre Bonifácio Buzzi de abuso sexual espera há um ano por uma decisão judicial. Do escândalo ficaram só as seqüelas. A família da vítima, desde o ano passado traz o menino da zona rural, duas vezes por semana, até cidade onde ele faz tratamento psicológico.
 
A meta, afirmam, é de tentar apagar da memória os momentos trágicos da vida dessa criança. A família entrou com um novo processo contra a Arquidiocese de Mariana, e pediu indenização de R$ 500 mil por danos morais.

A ação foi proposta pelo advogado André Cota. Ele afirma ter sofrido pressões e sucessivas tentativas de intimidação por parte de alguns padres.

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