Rio de Janeiro, 12 de Abril de 2026

Pacote agrícola não ajuda produtores

O pacote agrícola anunciado pelo governo, nesta quinta-feira, traz uma solução emergencial para a crise econômica do setor, mas não resolve os problemas estruturais enfrentados pelos produtores. A avaliação é do pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), professor José Arnaldo Figueiredo. (Leia Mais)

Sexta, 26 de Maio de 2006 às 09:30, por: CdB

O pacote agrícola anunciado pelo governo, nesta quinta-feira, traz uma solução emergencial para a crise econômica do setor, mas não resolve os problemas estruturais enfrentados pelos produtores. A avaliação é do pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), professor José Arnaldo Figueiredo.

Segundo ele, ainda é cedo para analisar a abrangência das medidas do governo. O impacto dos recursos para os agricultores -  R$ 60 bilhões - será percerbido ao longo da safra e dependerá de fatores como os juros dos créditos, taxa de câmbio e preço de máquinas ou insumos.

- Esse pacote traz um avanço indubitável em relação à crise financeira do setor, embora a gente creia que medidas estruturantes ainda possam estar por vir, como a questão dos custos de produção que não são tangenciados - disse Figueiredo.

Dentro do Plano Safra 2006-2007 o governo vai liberar R$ 50 bilhões de crédito para a agricultura comercial, o que significa um aumento de 13% em comparação à safra anterior. Também houve aumento de recursos destinados à agricultura familiar. Nesta safra a previsão é liberar R$ 10 bilhões, cerca de 10% a mais que para a passada.

Com relação à última safra, o pesquisador do Ipea acredita que diferença de câmbio - desvalorização do dólar - fez transparecer uma realidade do país.

- Nós tivemos safras magníficas em 2001 e 2003, comercializadas em condições excepcionais. Houve um ganho de rentabilidade muito grande, enfim, houve gordura para se queimar - revela Figueiredo.

- Agora com a valorização do câmbio, transpareceu toda uma fragilidade estrutural da agricultura que reside nos custos da produção. Nós praticamos preços de insumos, máquinas e outros fatores importantes para a produção bem acima dos nossos concorrentes mais diretos, onde não há crise - concluiu.

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