Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Pacifistas impotentes diante do massacre

Ana Helena Tavares - Neste julho de 2014, mais uma vez, os pacifistas sentem-se impotentes diante do insistente massacre no Oriente Médio. Muito se ouve perguntas do tipo: ‘para que serve a ONU’? Eu iria mais longe: para que, afinal, serve o ser humano? Ou pior: para quem? Se tanto teima em tacar fogo no mundo, nem a si mesmo o ser humano serve.

Quinta, 17 de Julho de 2014 às 12:18, por: CdB
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Mais uma vez, os pacifistas sentem-se impotentes diante do insistente massacre no Oriente Médio.
Neste julho de 2014, mais uma vez, os pacifistas sentem-se impotentes diante do insistente massacre no Oriente Médio. Muito se ouve perguntas do tipo: ‘para que serve a ONU’? Eu iria mais longe: para que, afinal, serve o ser humano? Ou pior: para quem? Se tanto teima em tacar fogo no mundo, nem a si mesmo o ser humano serve. Novamente, faz-se noite por onde passaram os filisteus. Sobre a sombra do belicismo daqueles a quem a paz não interessa. Faz-se noite e a manhã não começa. Na “maior prisão a céu aberto do mundo”, como definiu o famoso linguista judeu, sobre a mão pesada de interesses mesquinhos, faz-se noite e o dia não chega. Escureceram o sol, já não ouvem Deus, aprisionaram sua voz num abismo. Muraram sonhos, muraram amores. Já não ouvem o mundo, posto que o acham menor do que si mesmos. Já chegaram ao fundo, de qualquer nesga de esperança. São tantos em tão minúsculo lugar, são tão poucos os que manipulam a todos. Faz-se noite sobre um mundo de sofás atentos. Assiste-se ao sangue derramado pelo vil metal. Negócios negócios, paz à parte. Em que parte? Para que olhos? Não é um filme? Não. Os olhos das mães de Gaza choram. Lágrimas lágrimas, ficção à parte. Faz-noite sobre gabinetes pomposos indiferentes a gritos que parecem eternos. Faz-se noite sobre quem confunde sionismo com semitismo. Sobre quem confunde um povo com seus líderes. Faz-se noite sobre quem não vê que guerras necessitam de dois lados com forças equivalentes. Todo resto é genocídio. Nome ao qual os elos mais fracos da humanidade vêm se acostumando há séculos. Não dá para entender como os generais do Estado sorriem e como há quem os apoie. Depois de tantos cogumelos nocivos, cravando de mortes a terra onde Cristo escolheu viver, impedindo o broto de chegar à mocidade, fazendo vidas valerem menos que poder e tapando o sol com balas de canhão. Contam com a inércia de um mundo doente. Ouvi dizer por esse meu Brasil: “Não sou judeu nem muçulmano. Para que me preocupar?” Faz-se noite nessa mentalidade pequena. Faz-se noite nessa mente senil que só com a morte frente à frente verá que na Palestina todos vamos parar. Ana Helena Tavares, jornalista, conhecida por seu site de jornalismo político Quem tem medo da democracia?, com artigos publicados no Observatório da Imprensa e na extinta revista eletrônica Médio Paraíba. Foi assessora de imprensa e repórter dos Sindicatos dos Policiais Civis e dos Vigilantes. Universitária, entrevistou numerosas pessoas que resistiram à ditadura e seus relatos (alguns publicados na Carta Capital e Brasil de Fato serão publicados brevemente num livro. Direto da Redação é editado pelo jornalista Rui Martins.
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