A pacifista norte-americana Cindy Sheehan, que chamou a atenção ao fazer uma vigília antiguerra em frente ao rancho do presidente George W. Bush, depois que o filho dela foi morto no Iraque, está escrevendo um livro de memórias, que será publicado em setembro. A marca Atria Books, da editora Simon & Schuster, disse em comunicado que o livro contará "a história violenta, mas profundamente inspiradora" de como ela venceu seu desespero depois da morte do filho, em abril de 2004, ao lançar uma campanha pela paz.
Sheehan, que é da Califórnia, tornou-se uma das figuras mais conhecidas a pedir que os soldados norte-americanos fossem retirados do Iraque, desde que iniciou um protesto, que durou várias semanas, em frente ao rancho de Bush em Crawford, Texas, em agosto. Bush disse que se solidariza com Sheehan pela morte do filho dela, mas que não vai retirar de uma hora para a outra as forças norte-americanas do Iraque.
"Minhas experiências em todo o ano passado mostraram-me que uma pessoa pode fazer a diferença. As verdadeiras mudanças só aconteceram em nosso país por meio de movimentos do povo comum. Ao contar minha história com minhas próprias palavras, espero poder ajudar a inspirar outras pessoas ao ativismo.", disse Sheehan no comunicado.
O editor-sênior da Atria, Peter Borland, disse que o livro fará com que os leitores conheçam melhor Sheehan. "De uma tragédia inimaginável e da dor pessoal, Cindy Sheehan emergiu como uma das figuras mais influentes de 2005", afirmou ele no comunicado.
Bush vem sofrendo pressão popular crescente sobre a guerra no Iraque, conforme aumentam as mortes e a violência no país árabe, e Sheehan se tornou uma líder desse descontentamento. Bush, que se encontrou com Sheehan e familiares em junho de 2004, rejeitou seu pedido, durante o protesto no Texas, de se encontrar com ela uma segunda vez. Mas o seu protesto atraiu milhares de pessoas. Ela e outros pacifistas foram presos em setembro por protestar em frente da Casa Branca sem permissão, um delito leve que dá multa de 50 dólares. Sheehan é o tema de uma nova peça, Peace Mom, escrita pelo Nobel de Literatura Dario Fo, que estreou em Londres no mês passado.