Rio de Janeiro, 09 de Fevereiro de 2026

Pacientes renais acampam em frente ao Palácio Guanabara

Pacientes renais acamparam em frente ao Palácio Guanabara, em Laranjeiras, Zona Sul, na madrugada de segunda-feira, para protestar contra falta de medicamentos. Segundo a Associação de Movimentos de Renais Vivos e Transplantados do Estado do Rio (Amorvit), pelo menos 4,5 mil doentes correm risco de morte porque estão sem remédios contra rejeição.

Segunda, 06 de Agosto de 2007 às 08:57, por: CdB

Pacientes renais acamparam em frente ao Palácio Guanabara, em Laranjeiras, Zona Sul, na madrugada de segunda-feira, para protestar contra falta de medicamentos.

De acordo com Roque Pereira da Silva, 46 anos, presidente da Associação de Movimentos de Renais Vivos e Transplantados do Estado do Rio (Amorvit), pelo menos 4,5 mil doentes correm risco de morte porque estão sem remédios contra rejeição, que são fornecidos pela Secretaria Estadual de Saúde, há mais de três meses.

Nesta madrugada, oito pacientes armaram uma barraca na esquina das ruas Pinheiro Machado e Paissandú. Ostentado cartazes, os manifestantes levaram até um caixão de madeira para o local.

— A situação chegou ao limite do absurdo. Enquanto mais de R$ 20 milhões, com cerca de 30 caminhões de remédios foram desperdiçados na Coordenação Geral de Armazenagem (CGA), em Niterói, nós somos obrigados a vir para a rua pedir socorro — lamentou Roque.

Oito pacientes passaram a madrugada em frente ao Palácio Guanabara. Outros deverão chegar ao longo do dia.

— Só vamos sair do local depois que o governador Sárgio Cabral assinar documento se comprometendo que os medicamentos não vão mais faltar — prometeu Roque.
 
Sem remédios, que chegam a custar de R$ 800 a mais de R$ 5 mil, transplantados convivem diariamente com o drama da rejeição.

— Doei um rim para meu filho, William Pereira, 16 anos, em março. Há um mês, porém, ele não toma os quatro comprimidos diários de Myfortic (Micofenolato Sódico), que custa cerca de R$ 800 a caixa, correndo o risco de perder o órgão e até a vida — lamentou a técnica em segurança, Kátia Helena Ribeiro Pereira, 35 anos.

— Na farmácia do Iaserj só encontramos promessas de que a situação será normalizada — criticou o aposentado José Aris, 55 anos.

— Vamos pedir ao governador que uma comissão da nossa associação possa acompanhar a chegada e saídas dos medicamentos na CGA — completou Sandar Silva dos Santos, 50 anos.

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