Rio de Janeiro, 25 de Abril de 2026

Pacientes do hospital psiquiátrico Juqueri serão transferidos

Terça, 07 de Fevereiro de 2006 às 10:21, por: CdB

O Hospital Psiquiátrico do Juqueri, localizado na cidade de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, será desativado até o fim deste ano e cerca de 300 pacientes devem ser transferidos para outros hospitais. O Juqueri é um dos seis hospitais psiquiátricos de maior porte no Brasil, ou seja, aqueles que dispõem de mais de 600 leitos.

A medida faz parte da política do governo brasileiro de desativar progressivamente todo macro-hospital e encaminhar os pacientes com condições de volta ao convívio familiar ou para residências terapêuticas, um lar que abriga até oito pessoas que passam a ser supervisionadas por uma equipe médica. O hospital não vai fechar as portas, mas deve funcionar em modelo reduzido.

A unidade, que já abrigou 18 mil pacientes na década de 70, está finalizando a transferência dos internos. Depois da remoção de 700 pacientes para outras unidades psiquiátricas no estado, restaram 500 pessoas internadas no Juqueri. Essas transferências, no entanto, são motivo de polêmica entre a Secretaria de Estado de Saúde, que administra o hospital, e o Ministério da Saúde.

Segundo Pedro Gabriel Delgado, responsável pela área de Saúde Mental no Ministério da Saúde, o governo federal não critica a desativação do hospital, mas a forma como isso tem sido feito.

- O método proposto pelo ministério e pela Organização Mundial de Saúde é o de reintegração social dos pacientes de longa permanência. A simples transferência de um estabelecimento para outro, que reproduzirá as mesmas condições, não representa melhoria nem na vida do paciente nem na sua situação clínica.

Ele lembrou que o tempo médio de internação no Juqueri é de 22 anos.

Uma equipe do Ministério da Saúde esteve no hospital no fim de 2005 e, de acordo com Delgado, observou um número de transferências muito grande.

- Se você transfere em um ônibus 30 a 40 pacientes e várias vezes numa mesma semana, é menor a possibilidade de haver um trabalho de preparação com as famílias -  disse.

Delgado considera, no entanto, que a Secretaria de Saúde do Estado passou a ver com mais cuidado a transferência dos pacientes depois da visita da equipe do governo federal e da recomendação de interromper as remoções.

A secretaria informou, por meio da assessoria de imprensa, que não houve irregularidades nas transferências e que os pacientes removidos para outros hospitais sofriam problemas de saúde, além de doença mental, como é o caso de muitos idosos. Para este ano, estão previstas mais remoções, porém com número menor de pacientes.

Segundo Delgado, não estão sendo construídas residências terapêuticas na região de Franco da Rocha, como é recomendado pelo governo federal, mas a Secretaria de Saúde garante que 200 pacientes não serão transferidos. Eles serão alojados em uma das sete residências que devem ser construídas até o fim de 2006 com recursos do governo do estado. Atualmente, existem quatro residências terapêuticas ativadas no mesmo terreno do hospital.

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