O ouvidor geral da Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Sul, Adão José Correia Paiani, chegou na manhã desta quinta-feira à Fazenda Anoni, no município gaúcho de Pontão, cercada por homens da Brigada Militar estadual. No local, onde parlamentares federais e estaduais acompanham a movimentação de tropas e militantes, realiza-se encontro de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
- Vou tentar evitar um eventual confronto. Tentarei negociar pacificamente o cumprimento de ordem judicial com os integrantes do MST - afirmou Paiani. Ele disse ter sido informado de que os policiais estariam vistoriando todos os ônibus que levaram os sem-terra e identificando os participantes do encontro.
Segundo Raquel Amaral, assessora do MST, o motivo da ação teria sido um inquérito policial aberto a partir de comunicação feita pelo proprietário da Fazenda Guerra, perto da Anoni, de furto de uma máquina fotográfica, um anel e R$ 200 em espécie.
- O MST vê esta ação como uma forma de criminalização dos movimentos sociais. Todo esse aparato é um exagero. Não houve roubo por parte dos sem-terra - afirmou a assessora.
A Fazenda Guerra é um local tradicional de reivindicações dos assentados pela reforma agrária, acrescentou o procurador Carlos César D'Elia, que disse ter sido informado da presença dos policiais pela advogada Cláudia Ávila, do MST. Há mais de 20 anos, integrantes do movimento ocuparam a Fazenda Anoni, que "já foi desapropriada há muito tempo e é propriedade particular", segundo o procurador.
D'Elia disse também temer uma invasão da fazenda pelos homens da Brigada Militar:
- Desconhecem-se as proporções disso. A invasão pode ser avassaladora.