Rio de Janeiro, 05 de Novembro de 2026

Outras instituições confirmam estudo sobre dengue tipo 4 em MA, diz infectologista

Sexta, 28 de Março de 2008 às 18:25, por: CdB

A infectologista Maria Paula Mourão, doutora em doenças tropicais, afirmou nesta sexta-feira que o estudo realizado por cientistas da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMT) e que revela a presença da dengue tipo 4 em Manaus – contestado em nota pelo Ministério da Saúde, teve seus resultados confirmados por outras instituições e que eram parceiras na pesquisa, como Universidade Federal do Amazonas, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e Universidade de Porto Rico.

— Eles usaram a mesma metodologia de nossa pesquisa, mas cada um em seu laboratório, e chegaram ao mesmo resultado —, afirmou, sobre o estudo realizado entre 2005 e 2007 que ganhou repercussão depois de publicado em revista científica internacional.

Está disponível para consulta no endereço eletrônico http://www.cdc.gov/eid/content/14/4/667.htm.

Mourão informou que o artigo divulgado na Emerging Infectious Diseases (volume 14, nº 4, de abril de 2008) é resultado da análise de 128 amostras de sangue de pacientes que procuraram a instituição com sintomas de febre aguda, tiveram resultado negativo para os exames de malária e foram submetidos aos exames de dengue. Nas análises, os vírus da dengue foram isolados a fim de serem identificados quanto a sua tipagem.

— De todas as amostras analisadas, três deles deram resultado positovo para dengue tipo 4 —, contou, ao lembrar que o último caso desse tipo de dengue foi registrado no país há 26 anos, em Roraima.

A pesquisa foi concluída em agosto do ano passado e os resultados, informados às Secretarias de Saúde de Manaus e do Amazonas e ao Ministério da Saúde. Entre outubro e novembro, técnicos do ministério coletaram em Manaus cerca de 50 novas amostras, incluindo sangue de pacientes adultos e de crianças com quadro clínico com suspeita de dengue, para avaliação em laboratórios de referência nacional, como o Instituto Evandro Chagas, em Belém (PA) e na Fiocruz, no Rio de Janeiro (RJ).

— O objetivo era ver se havia outra indicação de dengue tipo 4 —, disse Mourão, que formalmente, alegou, não recebeu o retorno disso.

Ela afirmou, no entanto, que a descoberta de um novo tipo de dengue no Brasil representa apenas que a populaçào brasileira tem mais uma chance de se expor à doença.

— Não existe qualquer relação de gravidade entre o tipo de vírus de dengue e a apresentação clínica da doença. Se os indivíduos não forem picados por mosquitos infectados, não vão adquirir vírus nenhum e nem a doença. O que faz a diferença é a situação de defesa do indivíduo. Se ele já foi exposto outras vezes a infecções por dengue, tem mais chances de ter a doença grave —, ressaltou.

O vírus tipo 4 da dengue não era desconhecido pelos pesquisadres e já "circula" há bastante tempo na Venezuela, Colômbia, no sudeste asiático e na África.

— Mais dia, menos dia, a dengue tipo 4 entraria no Brasil —, disse a pesquisadora, confirmando as previsões feitas pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, em outubro do ano passado.

Para a infectologista, a entrada do vírus no país independe das ações integradas de saúde, já que "os vírus se transportam através das pessoas, ou seja, pessoas picadas por mosquitos infectados poderão levar a doença por onde forem – o que depende das ações de saúde é o controle do mosquito transmissor".

No Amazonas, neste ano, segundo a Secretaria de Estado da Saúde, já registrou – até quinta-feira – 1.221 casos suspeitos de dengue clássica e 55 confirmados de dengue hemorrágica (três mortes).

Sobre a nota em que o Ministério da Saúde contesta os resultados da pesquisa, dizendo que, no Brasil, somente os vírus de 1 a 3 circulam em território nacional e que, portanto, não há evidencia concreta de que o vírus tipo 4 esteja presente no país, Maria Paula Mourão ressaltou que a divergência entre a Fundação de Vigilância em Saúde do estado e o ministé

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