A Otan iniciará nesta segunda-feira sua primeira missão de paz fora da Europa, ao assumir o comando da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) no Afeganistão, com mandato das Nações Unidas.
O compromisso da Otan com a Isaf "é um reflexo de nossa agenda transformada e da determinação da Aliança para enfrentar os novos desafios de segurança do século XXI", explicou um comunicado divulgado pela entidade.
A Aliança Atlântica ressaltou que "este importante feito ressalta o compromisso a longo prazo de todos os aliados da Otan com a estabilidade e a segurança do povo afegão". A Isaf, criada em dezembro de 2001 após a queda do regime talibã, tem como trabalho ajudar o Governo de Hamid Karzai a garantir a segurança em Cabul e seus arredores.
No Afeganistão, a Otan assumirá os aspectos relativos ao planejamento, supervisão, comando e controle da Isaf, de acordo com o que foi decidido em abril passado pelo Conselho Atlântico, seu principal órgão político decisório. O general alemão Goetz Gliemeroth será o novo comandante da Isaf e terá o apoio do general canadense Andrew Leslie.
A chegada da Aliança Atlântica ao Afeganistão não suporá uma mudança da Isaf, nem de sua missão, pois continuará sob mandato das Nações Unidas. Serão modificados apenas os meios pelos quais a comunidade internacional cumprirá seus compromissos no país.
A participação da Otan na Isaf, à qual aportará cerca de 4.700 militares, foi decidida em abril passado a pedido de Holanda e Alemanha, que até hoje dirigem a missão, e do Canadá, que será o próximo país a assumir o comando.
Em sua nota, a Aliança Atlântica mostrou "seu agradecimento" à Holanda e Alemanha, assim como a todos os países que resolveram contribuir para a Isaf sob sua liderança.
A Otan proporcionará um marco de referência permanente para que a Isaf desenvolva seu trabalho e para facilitar a rotatividade dos países à frente da missão, pois até agora os Estados que contribuíam também eram responsáveis por estabelecer as estruturas de comando e planejamento.
O atual mandato da Isaf acabará em junho de 2004, quando acontecem eleições no Afeganistão, segundo o previsto nos acordos de Bonn, firmados em dezembro de 2001 depois da queda dos talibãs. A missão da Aliança Atlântica no Afeganistão será "uma das mais duras", como reconheceu em julho passado seu secretário-geral, George Robertson.
Naquela ocasião, Robertson também garantiu que as tropas aliadas vão permanecer no Afeganistão "até que tenhamos êxito, até que se acabe o trabalho. Não é um compromisso breve, mas a longo prazo e não temos intenção alguma de fracassar".
Apesar da limitação geográfica da missão, circunscrita a Cabul e seus arredores, a Otan buscará vias para ajudar o Governo a controlar todo o país e, por isso, estará em contato com os chamados "grupos provinciais de reconstrução".
O trabalho destes grupos, promovidos pelos Estados Unidos e Grã-Bretanha, é coordenar com as autoridades locais os trabalhos de ajuda humanitária e de reconstrução em estreita cooperação com as organizações não-governamentais.
Embora a missão da Otan comece apenas nesta segunda, em 5 de julho passado, já enviou uma frente para Cabul do quartel-general em Heildelberg (Alemanha) para preparar a troca da força germano-holandesa.
Otan fará no Afeganistão sua primeira missão de paz fora da Europa
Domingo, 10 de Agosto de 2003 às 06:53, por: CdB