Os líderes da Otan pareciam inclinados nesta terça-feira a frustrar o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, qauando ofereceram bem menos tropas do que ele pediu, e mesmo assim apenas para o norte afegão, relativamente estável, durante as eleições de setembro.
Karzai falará aos líderes dos 26 países da aliança no segundo dia da cúpula em Istambul, mas seu apelo para que as tropas da Otan sejam deslocadas para os lugares mais inseguros do Afeganistão não deve ser atendido.
O presidente norte-americano, George W. Bush, e outros líderes da Otan prometeram nesta segunda-feira ampliar o papel da aliança no Afeganistão, assumindo o comando de quatro equipes civis-militares de reconstrução no norte e enviando uma força de reação rápida com cerca de 600 soldados para Cabul.
A aliança também aceitou fornecer treinamento às forças de segurança do Iraque, que nesta segunda-feira recebeu sua soberania de volta, mas a França estragou o clima otimista do encontro ao se opor a qualquer papel formal para a Otan no Iraque.
- Assumimos o compromisso de ajudar (o Afeganistão), e vamos cumprir. Vamos fazer nossa parte, e os aliados passarão essa mensagem ao presidente Karzai", disse o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, em entrevista coletiva.
Mas a Otan, que mantém 6.500 soldados no Afeganistão, não deve mandar mais de 2.200 além desses. Outros 1.200 a 2.000 devem ficar de prontidão no exterior. "Damos as boas-vindas e apreciamos qualquer tipo de ajuda", disse em Cabul um porta-voz de Karzai.
Esse reforço fica bem aquém dos 5.000 soldados que a ONU e o governo afegão queriam para impedir que o Taliban prejudique a votação. A Otan argumenta que a segurança no sul e no oeste, as regiões mais turbulentas, é garantida pelos 20 mil soldados liderados pelos EUA que caçam militantes na área.
Esta força vem ampliando suas operações nas últimas semanas para proteger as eleições. Segundo analistas, a Casa Branca quer que a eleição aconteça na data marcada, porque isso ajudaria a contrabalançar os problemas do Iraque, que devem influenciar a eleição presidencial norte-americana de novembro.
Bush deve discursar nesta terça-feira em uma universidade turca. Ele dirá que a transferência de poder em Bagdá, feita é uma chance tanto para o Iraque quanto para o Oriente Médio como um todo.
Mas sua tentativa de demonstrar unidade na Otan, que rachou às vésperas da guerra no Iraque, foi prejudicada pelos comentários do presidente da França, Jacques Chirac, contra uma presença formal da Otan no país.
Inicialmente, os EUA queriam que a Otan enviasse tropas ao Iraque, mas a oposição de França e Alemanha impediu que isso ocorresse.
O rival democrata de Bush nas eleições de novembro, John Kerry, aumentou a pressão nesta segunda-feira, dizendo que os EUA devem convencer seus aliados a compartilhar os custos humanos e financeiros no Iraque.
Em Istambul, Chirac criticou o apoio de Bush à adesão da Turquia à União Européia, dizendo que isso não é da conta da Casa Branca. No discurso desta terça-feira, Bush deve apresentar a Turquia como um exemplo de que o Islã e a democracia são compatíveis.
Os líderes da Otan também vão se reunir na terça-feira com o presidente da Ucrânia, Leonid Kuchma. A Ucrânia quer aderir à Otan, mas enfrenta dúvidas sobre seu compromisso com os direitos humanos e a democracia.