A Otan iniciou nesta segunda-feira sua missão mais difícil até hoje, ao assumir o comando das operações militares internacionais no sul do Afeganistão, imerso em uma violência sem precedentes desde a queda do regime dos talibãs no final de 2001.
- A Otan está aqui para permanecer por muito tempo, enquanto o governo e o povo afegãos necessitarem de nossa ajuda - prometeu o general britânico David Richards, que lidera a Força Internacional de Assistência à Segurança (ISAF), o segmento armado da Otan no Afeganistão.
Richards substituiu oficialmente o general americano Karl Eikenberry, chefe da coalizão, em uma cerimônia organizada na base militar internacional de Kandahar, a mais importante do sul afegão.
Os afegãos "podem estar seguros de que não serão abandonados", acrescentou o general Richards antes de advertir que "os poucos milhares que se opõem à ampla maioria do povo afegão e ao seu governo eleito democraticamente não poderão se impor".
Os Estados Unidos, que continuarão dirigindo a coalizão no leste do país até o fim do ano, "não sairão do Afeganistão antes que seu povo diga que o trabalho terminou", disse o general Eikenberry.
A Otan patrulhará seis províncias: Day Kundi, Helmand, Kandahar, Nimroz, Oruzgan e Zabul, e é composta por militares de Austrália, Canadá, Grã-Bretanha, Estônia, Dinamarca, Holanda, Romênia e Estados Unidos, informou a Aliança.
Para restabelecer a ordem, o general Richards terá sob o seu comando 8 mil homens na região, o dobro do seu colega americano no final de 2005, e contará também com as forças de segurança afegãs na medida em que forem recebendo treinamento e equipamentos.
Um prazo de três a seis meses foi dado pelas organizações não-governamentais para que a Otan consiga restabelecer a ordem. Vários projetos de desenvolvimento se encontram paralisados devido à situação de insegurança.
A Otan se prepara para esta transferência há muito tempo, pois sua credibilidade está em jogo nesta operação fora de sua zona natural de influência.
Desde janeiro, a Aliança Atlântica deslocou milhares de soldados, principalmente canadenses para a província de Kandahar, britânicos para a de Helmand e holandeses para Oruzgan.
Depois deste deslocamento, a ISAF, que já havia sido estendida de Cabul para outras 13 províncias do norte e do oeste do país, terá 18.500 soldados de 37 países. Sua extensão para o leste do Afeganistão está prevista para o fim do ano, com um total de 23 mil militares.
Até o momento, os talebãs têm se aproveitado do pequeno número de tropas da coalizão, do terreno acidentado e da falta de autoridade do governo central para se reorganizar, reagrupar, fortalecer e enfrentar as forças de segurança desde sua derrota em 2001.
Em todo caso, mais de 600 talebãs morreram no Afeganistão nos últimos meses durante a ampla ofensiva da força internacional e do exército afegão no sul do país que terminou nesta segunda-feira, de acordo com o ministério afegão da Defesa.
Outros 300 foram capturados e cerca de cem ficaram feridos nesta operação chamada "Ataque à montanha", mobilizou 10 mil militares da coalizão internacional dirigida pelos Estados Unidos e as forças afegãs.
O cultivo da papoula (matéria-prima da heroína) e o tráfico de drogas aumentam a violência em uma região que se beneficiou pouco da ajuda internacional ao Afeganistão nos quatro últimos anos.
Otan assume operações no sul do Afeganistão
Segunda, 31 de Julho de 2006 às 07:25, por: CdB