Rio de Janeiro, 03 de Abril de 2026

Otan assume operações no sul do Afeganistão

Segunda, 31 de Julho de 2006 às 07:25, por: CdB

A Otan iniciou nesta segunda-feira sua missão mais difícil até hoje, ao assumir o comando das operações militares internacionais no sul do Afeganistão, imerso em uma violência sem precedentes desde a queda do regime dos talibãs no final de 2001.

- A Otan está aqui para permanecer por muito tempo, enquanto o governo e o povo afegãos necessitarem de nossa ajuda - prometeu o general britânico David Richards, que lidera a Força Internacional de Assistência à Segurança (ISAF), o segmento armado da Otan no Afeganistão.

Richards substituiu oficialmente o general americano Karl Eikenberry, chefe da coalizão, em uma cerimônia organizada na base militar internacional de Kandahar, a mais importante do sul afegão.

Os afegãos "podem estar seguros de que não serão abandonados", acrescentou o general Richards antes de advertir que "os poucos milhares que se opõem à ampla maioria do povo afegão e ao seu governo eleito democraticamente não poderão se impor".

Os Estados Unidos, que continuarão dirigindo a coalizão no leste do país até o fim do ano, "não sairão do Afeganistão antes que seu povo diga que o trabalho terminou", disse o general Eikenberry.

A Otan patrulhará seis províncias: Day Kundi, Helmand, Kandahar, Nimroz, Oruzgan e Zabul, e é composta por militares de Austrália, Canadá, Grã-Bretanha, Estônia, Dinamarca, Holanda, Romênia e Estados Unidos, informou a Aliança.

Para restabelecer a ordem, o general Richards terá sob o seu comando 8 mil homens na região, o dobro do seu colega americano no final de 2005, e contará também com as forças de segurança afegãs na medida em que forem recebendo treinamento e equipamentos.

Um prazo de três a seis meses foi dado pelas organizações não-governamentais para que a Otan consiga restabelecer a ordem. Vários projetos de desenvolvimento se encontram paralisados devido à situação de insegurança.

A Otan se prepara para esta transferência há muito tempo, pois sua credibilidade está em jogo nesta operação fora de sua zona natural de influência.

Desde janeiro, a Aliança Atlântica deslocou milhares de soldados, principalmente canadenses para a província de Kandahar, britânicos para a de Helmand e holandeses para Oruzgan.

Depois deste deslocamento, a ISAF, que já havia sido estendida de Cabul para outras 13 províncias do norte e do oeste do país, terá 18.500 soldados de 37 países. Sua extensão para o leste do Afeganistão está prevista para o fim do ano, com um total de 23 mil militares.

Até o momento, os talebãs têm se aproveitado do pequeno número de tropas da coalizão, do terreno acidentado e da falta de autoridade do governo central para se reorganizar, reagrupar, fortalecer e enfrentar as forças de segurança desde sua derrota em 2001.

Em todo caso, mais de 600 talebãs morreram no Afeganistão nos últimos meses durante a ampla ofensiva da força internacional e do exército afegão no sul do país que terminou nesta segunda-feira, de acordo com o ministério afegão da Defesa.

Outros 300 foram capturados e cerca de cem ficaram feridos nesta operação chamada "Ataque à montanha", mobilizou 10 mil militares da coalizão internacional dirigida pelos Estados Unidos e as forças afegãs.

O cultivo da papoula (matéria-prima da heroína) e o tráfico de drogas aumentam a violência em uma região que se beneficiou pouco da ajuda internacional ao Afeganistão nos quatro últimos anos.

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