A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) assumiu, nesta quinta-feira, a responsabilidade pela segurança em todo o território do Afeganistão, ao receber o comando do leste dos país das mãos da força de coalizão liderada pelos Estados Unidos. A Força Internacional de Assistência à Segurança da Otan (Isaf, na sigla em inglês) já comandava as forças no norte, no oeste e no sul, bem como na capital Cabul. Nesta quinta-feira, assumiu o comando de cerca de 12 mil soldados norte-americanos também no leste.
A violência ressurgiu este ano no Afeganistão em sua maior intensidade desde que forças lideradas pelos EUA derrubaram o governo radical do Talebã, há cinco anos, semanas depois dos ataques de 11 de setembro.
- Este é um dia muito importante, que aponta o compromisso absolutamente inabalável da Otan com o Afeganistão, tanto militar como politicamente - disse em entrevista coletiva Daan Everts, principal autoridade civil da Otan no Afeganistão.
A missão no Afeganistão é a maior operação terrestre da história da aliança. A transferência de tropas dos EUA é o maior envio de soldados norte-americanos sob comando estrangeiro desde a Segunda Guerra Mundial. A transferência do comando das tropas dos EUA era esperada para o final do ano, mas autoridades da aliança disseram que as batalhas com insurgentes no sul mostraram a urgência de se colocar soldados britânicos, holandeses e canadenses junto com norte-americanos sob a direção da Otan.
Com a inclusão dos soldados dos EUA no leste, a força da Otan no Afeganistão terá 31 mil soldados. O presidente Hamid Karzai participou de uma cerimônia de troca de comando no quartel-general da Otan em Cabul. Ele agradeceu aos aliados pela ajuda no combate ao terrorismo. Quase cinco anos depois do início da ofensiva liderada pelos EUA para derrubar o Taliban, soldados do Afeganistão, norte-americanos e da Otan observaram a bandeira da coalizão dos EUA ser trocada pela bandeira da força da Otan.
O comandante da força da Otan no Afeganistão, o general David Richards, disse que a união do comando vai melhorar a efetividade da operação.
- Não haverá perda de capacidade. Na verdade, trazer a operação residual dos EUA para dentro da Otan fortalece claramente a Otan - afirmou Richards.
Cerca de 8.000 soldados dos EUA continuam em uma força separada, concentrada em treinar afegãos para operações de contraterrorismo, enquanto a Otan se responsabilizará pela segurança. Mais de 140 soldados estrangeiros foram mortos desde janeiro.