A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) quer aprovar um pacote de medidas antiterrorismo este mês como parte do esforço para transformar a aliança, originada na Guerra Fria, numa força capaz de enfrentar as ameaças do século 21, disseram autoridades na quarta-feira.
O plano, que inclui providências para tornar aeronaves menos vulneráveis a mísseis terra-ar e para proteger navios de ataques, vai ser apresentado durante uma reunião na véspera da cúpula de Istambul, em 28 e 29 de junho.
"A Otan está fazendo progressos significativos nessa área", disse o porta-voz James Appathurai.
A aliança está contando com a reunião de ministros da Defesa para reforçar a agenda da cúpula, que encolheu nas últimas semanas. A Otan chegou até a pensar em diminuir a duração do encontro em um dia, depois do fracasso dos planos de realizar encontros com ministros árabes e com o presidente russo, Vladimir Putin. Além disso, não havia perspectiva de acordo sobre a atuação da Otan no Iraque.
Os ministros da Defesa vão discutir como treinar suas forças armadas para lidar com operações de crise e para deixá-las prontas para um envio rápido para além das fronteiras tradicionais da Otan.
Os 26 aliados, sem contar os Estados Unidos, contam com 1,5 milhão de militares -- cerca de 2 milhões se se considerar a reserva --, mas afirmam estar sobrecarregados. A Otan tem 60 mil soldados participando de operações multinacionais.
O secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, desanimado pela relutância dos países-membros em fornecer helicópteros, aviões e equipes médicas para a missão de paz no Afeganistão, quer uma revisão geral do modo como as operações são planejadas e financiadas. Isso pode significar mais financiamentos conjuntos de equipamentos militares caros, um modelo que a aliança já utiliza com aviões de reconhecimento.
O pacote antiterrorismo de oito pontos estabelece para os países-membros o compromisso de:
-- reduzir a vulnerabilidade de grandes aeronaves a sistemas antiaéreos portáteis;
-- proteger portos e embarcações de ameaças na superfície e submersas;
-- tornar helicópteros menos vulneráveis a ataques de terra, principalmente por granadas lançadas por foguete;
-- combater dispositivos explosivos caseiros;
-- realizar operações precisas com pára-quedistas;
-- detectar e se proteger contra armas de destruição em massa;
-- espionar terroristas com tecnologia moderna;
-- desfazer-se de explosivos e evitar ataques a bomba.
A Otan já tomou medidas anteriores para combater o terrorismo, como uma operação de vigilância naval no mar Mediterrâneo e o estabelecimento da Unidade de Inteligência de Ameaça Terrorista. A aliança também pretende fazer patrulhas aéreas e navais durante as Olimpíadas de Atenas, entre 13 e 29 de agosto.