OTAN amplia tensão com aumento de tropas nas fronteiras com a Rússia
O tom mais alto no discurso do secretário-geral deixou mais pesada atmosfera em torno da 7ª cúpula da OTAN, marcada por declarações de hostilidade à Rússia
O tom mais alto no discurso do secretário-geral deixou mais pesada atmosfera em torno da 7ª cúpula da OTAN, marcada por declarações de hostilidade à Rússia
Secretário-geral da Organização do Tratado Atlântico Norte (OTAN), Jens Stoltenberg, declarou nesta sexta-feira que a Aliança vai instalar batalhões nos Estados Bálticos e na Polônia em 2017. A medida amplia a tensão nas fronteiras com a Rússia e deixam mais imprevisível o horizonte de eventos militares no Leste Europeu.
— A nossa presença vai começar no próximo ano. Decidimos expandir a nossa presença militar na parte oriental da OTAN, implantando quatro batalhões na região — avisou, aos repórteres, durante reunião de cúpula da Aliança do Norte, na capital polonesa.
O plenário da cúpula da OTAN, em Varsóvia, concordou com o aumento de tropas nas fronteiras com a Rússia
Stoltenbrerg enfatizou, ainda, que as tropas serão implantados numa base rotativa. O secretário-geral também disse que os soldados na Letônia serão enviados pelo Canadá, da Lituânia pela Alemanha, da Estônia pela Grã-Bretanha, e os Estados Unidos enviarão militares para a Polônia.
O líder da organização afirmou também que o sistema de defesa antimísseis a ser instalado na Europa está em fase inicial de ativação. A Rússia, no entanto, garante que o sistema de Defesa do país está preparado e dispõe de recursos para "uma resposta simétrica" a qualquer ação da Aliança.
O tom mais alto no discurso do secretário-geral deixou mais pesada atmosfera em torno da 7ª cúpula da OTAN, marcada por declarações de hostilidade à Rússia. Presidente norte-americano e ganhador de um Prêmio Nobel da Paz, Barack Obama contribuiu para o aumento da tensão com Moscou. Obama declarou que a OTAN precisa tomar “medidas concretas para enfrentar desafios como o grupo terrorista Daesh, a Rússia e o Brexit”, cita a agência russa de notícias Sputnik.
Estrategistas presentes ao encontro de cúpula já previam a decisão sobre o posicionamento de quatro batalhões militares da OTAN como forma de exercer uma política de “contenção da Rússia”. Apesar dos recursos investidos pela Aliança na imagem reproduzidas pela mídia conservadora ocidental, nem todos os europeus estão satisfeitos com as medidas adotadas. Entre eles está o tcheco Jiri Bures, coronel aposentado e presidente da associação Militares contra guerra, que tem uma visão alternativa em relação à OTAN e seu papel na Europa.
A Sputnik publicou a íntegra do comentário de Bures:
"Todas as guerras e conflitos militares após a Segunda Guerra Mundial foram na sua maioria provocados e realizados por parte dos EUA e depois a OTAN foi também arrastada neles. Isto levou milhões de vidas e provocou um dano material imenso. Os EUA aspiram a que a OTAN se torne o único gendarme, juiz e executor de direito no mundo – do direito elaborados pelos Estados Unidos. Isto foi manifestado de forma bastante clara na cúpula da OTAN em 2010.
Neste momento, o objetivo e a essência da atividade da OTAN é parar a ‘expansão’ da Rússia. A OTAN, sendo a legião europeia dos EUA, deve obedientemente executar tarefas cujo objetivo é garantir interesses geoestratégicos dos EUA. As legiões europeias devem contribuir para que os Estados Unidos tomem o controle das fontes de energia e matérias-primas.
Pode ser que na cúpula de Varsóvia seja expressado o desejo de os aliados dos EUA, membros da OTAN, se libertarem da submissão e obediência cega aos EUA e começarem a realizar uma política própria, de compreenderem que está na hora de se ocuparem eles próprios da segurança na Europa, independentemente dos EUA.
É preciso também ter em conta as mudanças sociais nos últimos 25 anos. Se as prioridades da cúpula forem colocadas da mesma maneira como elas estão sendo colocadas no momento, a possibilidade de melhorar a situação ficará bem longe; finalmente, haverá uma aproximação do território euro-atlântico às fronteiras da Rússia.
Isso poderia conduzir ao crescimento constante da tensão na Europa".
Cúpula alternativa
Enquanto os líderes da OTAN anunciavam o envio de batalhões "prontos para a guerra" em direção às fronteiras russas, pacifistas se reuniram em Varsóvia para uma Cúpula Alternativa. Além de organizações polonesas, entre os participantes estão delegados dos EUA, do Reino Unido e da Alemanha, entre outros.
Helicópteros, sirenes e centenas de agentes especiais nas ruas: a capital polonesa está sitiada, segundo relata o correspondente da Sputnik em Varsóvia. Delegados da cúpula da OTAN atravessam o centro da cidade em carreatas com escoltas, observando a movimentação das ruas através das janelas de suas limusines pretas.
Mas parece que nem todos estão felizes com essa esmagadora demonstração de poder. Movimentos pacíficos internacionais de 14 países enviaram seus representantes para a capital da Polônia a fim de realizar uma Cúpula Alternativa. Eles protestam contra as políticas de guerra e conflito com o lema "Não à guerra e às bases da OTAN".
"A OTAN está agora realmente preparando os últimos passos para cercar a Rússia. E isso não é pacífico…", diz Reiner Braun, um dos organizadores da Cúpula Alternativa e copresidente do Secretariado Internacional da Paz. "Nós estamos preocupados com a dinâmica com a qual esta situação pode ir. Ela pode ir para uma grande guerra. E você sabe que uma grande guerra na Europa será a última, porque vai ser feita com o uso de armas nucleares", adverte o ativista.
De acordo com muitos de seus companheiros, a incitação do sentimento antirrusso na Polônia e em outros países da Europa faz parte da agenda de Washington. A Sputnik entrevistou Ann Wright – oficial aposentada do Exército dos EUA e ex-diplomata norte-americana. Segundo ela, seu país está levando a OTAN na direção errada:
"A retórica que está saindo dos países da OTAN sobre a ameaça da Rússia, acho que é totalmente errada. Para os Estados Unidos é uma maneira econômica de continuar a nossa enorme quantidade de gastos com o complexo industrial militar".
Neste sábado, os participantes da Cúpula Alternativa vão marchar pelas ruas de Varsóvia para expressar suas preocupações sobre a expansão da aliança militar ocidental e as políticas de guerra da organização.
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