CIDADE DO VATICANO, 23 AGO (ANSA) - O jornal oficial do Vaticano, L'Osservatore Romano, publicou hoje uma matéria em que nega que tenha sido usado dinheiro público espanhol para a visita do papa Bento XVI a Madri na semana passada em ocasião da Jornada Mundial da Juventude (JMJ).
A publicação retomou um comunicado divulgado pelos organizadores do evento no qual afiram que 'nenhum euro está a cargo dos contribuintes espanhois' e atestou que, muito pelo contrário, o afluxo de quase dois milhões peregrinos à capital movimentou quatro vezes mais a economia da cidade com relação a agosto do ano passado.
A viagem do Pontífice ao país foi marcada, entre outros, pelos protestos de integrantes do movimento dos "indignados" espanhois, que já vêm protestando contra os efeitos da crise econômica e que, pela ocasião, realizaram atos condenando o uso de dinheiro público com o evento.
Segundo o Osservatore, o custo total da JMJ, incluindo a visita do Papa, foi de 50.482.621 de euros (R$ 116.165.559), que teriam sido recebidos apenas de "jovens, dioceses e 165 doadores". O jornal especificou que "31,5 milhões de euros [R$ 72,5 milhões] chegaram de registros de peregrinos; 16,5 milhões de euros [R$ 38 milhões] de doadores e 2,4 milhões de euros [R$ 5,5 milhões] de outras doações privadas".
Desse montante, 12,5 milhões de euros (R$ 28,7 milhões) foram gastos para a organização dos principais eventos: a missa de abertura conduzida por Bento XVIm na Praça de Cibeles e a de encerramento, também conduzida por ele, no aeroporto Cuatro Vientos.
Também foram gastos 5,5 milhões de euros (R$ 12,6 milhões) com despesas de secretaria geral e de recebimento de peregrinos, 4,7 milhões de euros (R$ 10,8 milhões) com kits; 7,2 milhões de euros (R$ 16,5 milhões) com infraestrutura; 4,2 milhões de euros (R$ 9,6 milhões) com programas culturais e guias dos peregrinos e 1,2 milhões (R$ 2,7 milhões) com segurança, além de quase 4 milhões de euros (R$ 9,2 milhões) com voluntários.
Os custos com o evento foram criticados pelos "indignados" e até por padres ligados a dioceses de comunidades pobres, que acusaram o governo de estar retirando dos cofres públicos metade do orçamento previsto de 60 milhões de euros (R$ 138 milhões), enquanto corta 40 milhões de euros (R$ 92 milhões) da educação e da compra de remédios para a saúde pública.
O governo do premier José Luis Rodrigues Zapatero, porém, se negou a divulgar as cifras do evento. (ANSA)
Osservatore romano nega uso de dinheiro público em viagem do Papa a Espanha
Terça, 23 de Agosto de 2011 às 07:51, por: CdB