O ex-diretor de Administração da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) Antonio Osório Menezes Batista confirmou que sua indicação para o cargo na estatal foi feita pelo ex-presidente do PTB José Carlos Martinez, já falecido. Disse ainda, em seu depoimento à CPI dos Correios, que acontece nesta terça-feira, que a indicação do diretor financeiro da estatal foi do PMDB, feita pelo atual ministro das Comunicações, Hélio Costa, e citou também outras indicações feitas por partidos políticos para cargos na instituição, como a de diretor de Recursos Humanos, feita também pelo PMDB, a de Eduardo Medeiros para a diretoria de Tecnologia e Infra-Estrutura, feita pelo PT, e outras, feitas pelo PL e pelo PMDB.
Ele disse que ficou surpreso quando viu a fita do ex-chefe de departamento dos Correios Maurício Marinho recebendo propina. Segundo Osório, em esclarecimento ao deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), Marinho não tinha aquela força política que mostrava, apenas procurava vender essa imagem para o pessoal que o procurou. Osório contou que Marinho vinha passando por problemas de saúde "muito sérios". Disse que ele tinha hepatite medicamentosa e diabetes, o que teria dificultado o afastamento de Marinho do cargo durante um período.
Sobre uma suposta influência da Casa Civil na indicação de nomes para os Correios, Osório disse que o PTB estava na base de apoio ao governo, justificando a aprovação política de seu nome para diretor na estatal. O depoente disse ainda que esteve duas vezes com o empresário Arthur Wascheck, dono da Coman e da Vetor, que mandou fazer a gravação do recebimento de propina, para tratar de negócios. Osório voltou disse para averiguar seu patrimônio na Bahia e garantiu que é honesto.
"Vamos deixar o cinismo de lado", disse o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), ao questionar Antonio Osório Menezes Batista, ex-diretor de Administração dos Correios, durante seu depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito dos Correios. Segundo o senador, Telma, proprietária da Astral e mulher de Osório, tem ligações com a empresa Multiaction, de propriedade do publicitário Marcos Valério, acusado de operar o mensalão.
O senador disse ainda que Eliane Alves Lopes, da SMP&B, empresa também de Marcos Valério, trabalha ao lado de Telma. Alvaro Dias acha que é coincidência demais e tráfico de influência:
- Há excesso de aditivos e prorrogação de contratos que implica favorecimentos de Marcos Valério, e isso não é ético, afronta a dignidade.
Osório disse que não houve ilegalidade no aditivo do contrato publicitário assinado entre os Correios e a empresa SMP&B, de Marcos Valério, acusado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de ser o principal operador do esquema de pagamento de "mesadas" a deputados da base governista. O valor do contrato era de R$ 72 milhões e passou para R$ 90 milhões depois do aditivo.
Osório lembrou que o aditivo é um recurso previsto pela Lei de Licitações (8666/93) e garantiu que não conhecia o empresário na época e disse que só tomou conhecimento da existência do empresário quando estourou o escândalo do mensalão. Sobre declarações do ex-chefe de departamento dos Correios Maurício Marinho de que Osório também participava indiretamente do esquema de propina, citadas pelo senador, o depoente disse que elas se constituíam em ofensa.