O arquiteto carioca Oscar Niemeyer, que completa 100 anos neste sábado, disse que o centenário é uma bobagem e que, ao olhar para trás, vê que não fez concessões e seguiu um bom caminho.
– Cem anos é uma bobagem, depois dos 70 a gente começa a se despedir dos amigos. O que vale é a vida inteira, cada minuto também, e acho que passei bem por ela", disse Niemeyer, esta semana, ao receber uma homenagem do governo da França em seu escritório em Copacabana, ao lado da mulher, Vera Lúcia.
– Quando olho para trás vejo que não fiz concessões e que segui o bom caminho. Isso é que dá uma certa tranquilidade, afirmou o arquiteto.
Para ele, a França é um país amigo e os franceses, solidários.
– É um povo que eu admiro, inteligente, pró a qualquer movimento de defesa do país. É um país fantástico."
O arquiteto, que chegou a abrir um escritório em 1972 na Champs Elysées, projetou diversos prédios importantes no país, como a Bolsa de Trabalho de Bobygny e o Centro Cultural Le Havre.
Para Niemeyer, um de seus trabalhos mais importantes é a sede do Partido Comunista Francês, em meados dos anos 1960.
– Lembro com tanto prazer, eles (do partido) foram tão solidários comigo o tempo todo, me ajudando, me levando para um lado e pro outro. Foi muito bom, recordou.
O arquiteto irá receber outra homenagem nesta sexta-feira, desta vez do consulado da Rússia no Rio de Janeiro. No sábado, comemora os 100 anos na Casa das Canoas, um projeto de sua autoria de 1952, considerado um dos marcos da arquitetura brasileira. Nascido no dia 15 de dezembro de 1907, Oscar Niemeyer realizou mais de 600 projetos arquitetônicos em todo o mundo, em mais de 70 anos de carreira.
Entre as obras mais marcantes de Niemeyer, além do conjunto arquitetônico de Brasília, estão a Passarelaz do Samba no Rio, os CIEPs que criou a pedido de seu amigo Darcy Ribeiro e o Museu de Arte Contemporânea de Niterói