A avenida Paulista amanheceu totalmente colorida e tomada por uma das maiores demonstrações de unidade e luta dos últimos tempos: Centrais Sindicais, movimento popular, estudantil, de mulheres, camponeses, operários, sem terra, negros, religiosos, enfim, diversas categorias se uniram e foram às ruas dizer não às demissões e em defesa dos direitos sociais e trabalhistas ameaçados por uma política econômica que beneficia somente banqueiros e grandes empresários.
Mais de 10 mil pessoas foram às ruas para dizer que a classe trabalhadora não pagará mais uma vez pela crise do sistema capitalista. Pela crise dos países ricos que nunca aceitam dividir seus lucros. Agora são os trabalhadores e trabalhadoras que não aceitam dividir os prejuízos. "Eles geraram a crise , eles que paguem por elas" - diziam os manifestantes.
Durante o ato diversas lideranças fizeram uso da palavra. Gilmar Mauro, da coordenação nacional do MST apresentou a atual crise como uma grave crise do capital e disse que "estamos apenas em seu início". Lideranças das Centrais Sindicais formaram um só coro ao afirmarem que estarão unidos contra a crise e as demissões, por emprego e salário. Também fizeram uso da palavra representantes da Marcha Mundial das Mulheres, do movimento estudantil, da Cebrapaz, entre outros.
Luiz Bassegio, do Grito dos Excluídos/as Continental falou em nome da Assembléia Popular. Disse que a crise é conseqüência do capitalismo, da super produção e que é uma crise de natureza econômica, social, política, ambiental e de paradigma. Lembrou que os culpados são a política neoliberal de estado mínimo; os especuladores, as transnacionais e os banqueiros e que os trabalhadores não aceitam arcar com o ônus desta crise. Reforçou ainda a necessidade de reforçar a luta pela manutenção e ampliação dos Direitos Sociais. "Não aceitamos suprimir direitos. Não aceitamos o desmonte do sistema da Seguridade Social mais uma vez ameaçado através da Reforma Tributária proposta pelo governo que, a pretexto de desburocratizar, simplificar, desonerar a folha salarial e acabar com a guerra fiscal, retira a exclusividade de verbas destinadas aos direitos sociais básicos. Queremos sim a universalização dos direitos sociais - afirmou Bassegio.
O ato unificado contra a crise percorreu a avenida paulista com paradas simbólicas em prédios como o da FIESP e de grandes bancos como o Santander, o Banco Central, a Caixa Econômica Federal etc.. A cada parada as bandeiras de luta foram apresentadas à população: não as demissões, pela ratificação da convenção 158 da OIT, redução de juros, redução da jornada de trabalho sem redução de salários e direitos. Reforma Agrária Já. Por saúde, educação e moradia. Em defesa de uma Reforma Tributária com Justiça Social. Por um projeto popular que inclua a todos e todas.
Luciane Udovic integra o Programa Justiça Econômica e da coordenação do Grito dos Excluídos Continental