Enquanto nas passarelas da São Paulo Fashion Week modelos desfilam a coleção de inverno, nos corredores da Bienal o público circula com os modelitos de verão certo? Mais ou menos. Numa cidade com clima cada vez mais louco muitas vezes a moda das platéias acaba se confundindo com a das coleções e as grifes precisam adotar estratégias para não acabar com as peças encalhadas.
- Aqui, pode-se ter inverno no verão e verão no inverno - lembra o estilista Mario Queiroz - A solução é jogar com a sobreposição. Nesta coleção, não tenho nenhuma peça muito pesada, todas são leves e feitas para serem usadas sobrepostas. É a chamada moda cebola: vai esquentando, vai tirando.
Usar materiais leves é outra estratégia. "Nesta coleção da UMA, usei tecidos à base de algodão, para dar uma cara invernal num país tropical, mas mais leves", conta a estilista da grife, Raquel Davidowicz, que também tenta usar o mínimo possível de forros nas roupas e, como Mario, forçar sobreposições de peças, como regatas sobre camisas e vice-versa.
Mesmo técnicas que lembram o inverno podem, com alguns truques, ser adotadas no verão. "O tricô, por exemplo, não precisa ser feito com fios de lã ou cashmere, pode ser de fios viscose", diz Raquel. Algodão, viscoses, poliamida com elastano, microfibra e o imbatível jeans são outros materiais que podem servir para todas as estações, ainda em trench coats, casacos e outros modelos tipicamente de inverno.
- A platéia da São Paulo Fashion Week é antenada, são pessoas que acompanham a moda e por isso não difere muito do que está sendo mostrado nos desfiles - diz a estudante Marina Sciotti, de 19 anos. Ela vestia umas das sensações do verão: saia usada como blusinha toma-que-caia ou bata. Mas, de acordo com as coleções mostradas, os tops folgados continuam na próxima estação.
As amigas Adriana Reis, Fernanda e Maria Luiza Queiroz vestiram-se para assistir aos desfiles da SPFW "adiantando a moda de inverno". Usavam saias longas e rodadas, vestido combinado com calça e batas. Tudo o que as passarelas desta edição do evento também evidenciavam.
- Quase não temos roupa diferentes para inverno e verão - explica a estudante Rafaela Wolf, de 20 anos, que vestia uma bermuda, outra peça-chave das coleções da nova estação - Com um salto posso sair à noite com ela, se vou ao supermercado coloco um chinelo e também fica lindo - diz.
Em relação às bolsas e acessórios, porém, as diferenças são mais marcadas. "Ninguém carrega bolsa de abacaxi ou palmeira no inverno", exemplifica a designer Serpui Marie. Segundo ela, cores e estampas também são distintas. "Para cada mulher, história e situação existe uma bolsa. As do verão têm estampas e cores mais alegres. As do inverno são sempre mais tristes." O ar condicionado também pode fazer toda a diferença. Mario conta que vende casacos, jaquetas e tricôs no Nordeste e Centro-Oeste, apesar de lá praticamente não existir inverno. "No ano passado, fui a Teresina e só levei roupa leve. Acabei tendo de pedir uma jaqueta emprestada, porque os restaurantes, os bares e hotéis vivem altamente refrigerados."
As modelos seguem uma moda à parte. Enquanto nos desfiles estão a cada hora com um estilo diferente, fora das passarelas vivem de blusinha básica, jeans ou minissaia - também jeans -, tênis ou salto alto. "Antes vestia de tudo, seguia as modinhas, o estilo patricinha. Agora só ando de regata, jeans e tênis", conta a new face catarinense Diany Boing, de 15 anos, da agência Elite, que na mochila carrega sapato de salto para fazer os testes, maquiagem para corrigir olheiras e agenda. "Esse é o uniforme das modelos, porque é mais fácil, mais prático. Sem contar que tem estilista que não gosta se você chega toda produzida ao casting."