O ano de 2004 foi bastante interessante na música. Vale destacar a consolidação da revista Outra Coisa, editada pelo Lobão, que trouxe grandes discos de Mombojó, Arnaldo Baptista (após um hiato de 20 anos), Wander Wildner e do Cachorro Grande, que figura como o primeiro da lista. Trouxe também a dupla goiana Réu e Condenado, um verdadeiro fiasco, e o questionável trabalho do freakshow Rogério Skylab.
O Circo Voador voltou a funcionar de forma bastante irreconhecível, com ingressos caríssimos, trazendo uma boa diversidade de artistas (de Lobão a Luís Melodia). Há poucos metros abriu também o Teatro Odisséia, mais voltado para um público indie.
O Rappa lançou seu primeiro DVD, que passou meio despercebido pelos fãs. O último produtor a trabalhar com o Rappa, Tom Capone, morreu de forma estúpida nos USA. Perda irreparável. Capone tinha uma sensibilidade única e fazia trabalhos diferenciados sempre com qualidade. A última banda que trabalhou com o Capone foi o Barão Vermelho. O disco, homônimo, saiu pouco depois da morte do produtor. Apesar de Frejat e companhia serem muito simpáticos e a banda ter a vantagem de ser muito carismática, é inevitável constatar que ficaram óbvios. O disco novo é bom, mas é exatamente parecido com o velho Barão, não acrescenta nada. O hit Cuidado (cujo refrão é "Cuidado, se não você dança") é uma das piores coisas do ano. O disco tem outras músicas muito melhores que poderiam ser usadas como trabalho. Mas o pessoal parece ter gostado.
Quem andava exatamente na mesma fórmula, assim como o Barão, e deu uma virada considerável em 2004 foi o Aerosmith. O disco de covers Honkin` on Bobo é muito interessante, uma boa homenagem aos que influenciaram a banda (inclusive o guitarrista Joe Perry). E se devoção é a palavra da hora, nada mais conciso do que o disco-homenagem de Eric Clapton para Robert Johnson, Me and Mr. Johnson. Está fazendo falta um relançamento da obra de Johnson por aqui (assim como a de Vassourinha).
Quem aterrissou por aqui foi os Doors (ou o que sobrou da banda), sob o nome canhestro de 21th Century Doors. Quem voltou e fez uma bela apresentação (apesar de, digamos, incompleta) foi o Jethro Tull.
Para terminar de forma trágica, fizeram bastante sucesso Pitty, Detonautas e ainda se fala em LS Jack.
MELHORES DO ANO
1- Cachorro Grande - As próximas horas serão muito boas (Net Records).
Segundo disco da banda gaúcha que o divulgou aqui no Rio em quatro shows (e um pocket). Loud, no Cine Íris, Circo Voador, Ballroom, e a UFRJ foram palco de apresentações demolidoras dos gaúchos (além do sebo Baratos da Ribeiro, em Copa). O Cachorro Grande está gravando seu terceiro disco pela Deckdisc. A banda é o maior nome do rock atualmente no Brasil. Ou melhor, é a única esperança.
2- Funk Como Le Gusta (ST2 Records).
Após uma longa espera, o extenso grupo paulistano voltou a apresentar suas longas jams e, definitivamente, já pode ter seu segundo discos entre as melhores coisas dos anos 00. É uma pena que o grupo quase nunca vem ao Rio. Algo completamente justificável, visto o número de integrantes da banda (é só pensar em diárias, transportes... não). Uma pena.
3- Black Alien - Babylon By Gus Volume I - o ano do macaco (Deckdisc).
Uma boa surpresa e uma boa produção. O primeiro disco do ex-Planet Hemp Gustavo Black Alien é bastante eclético na estética do rap. Mistura letras ingênuas com letras engajadas e até uma música pré-Racionais, Estilo do gheto, com direito a "deformidades" vocais. Os instrumental foi cuidadosamente elaborado pelo produtor multi-instrumentista alexandre basa. um bom começo.