Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

Os lucros dos bancos crescem sem parar

Sexta, 24 de Junho de 2011 às 17:09, por: CdB

1. Nos oito anos de FHC, a média anual de crescimento real doslucros dos bancos foi 11%, acumulando 230% em oito anos. De 2003 a 2007, elafoi 12%, acumulando 176% em 5 anos.

2. De 2003 a 2010 os lucros dos cinco maiores bancos - Itaú,Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Caixa Econômica Federal - elevaram-se deR$ 11,1 bilhões para R$ 46,2 bilhões. Ou seja, em sete anos, elevaçãosustentada, à média de 17,7% ao ano, ou seja, 313%. Em termos reais (correçãopelo IPCA): 12,1% aa., acumulando 222%.

3. Quem consegue ascensão tão rápida em sua renda real? E aque os bancos devem esse maná? A se crer na grande mídia e na academia, omercado estabeleceria as taxas de juros dos títulos públicos. Na verdade, quemas decide é o Banco Central - BACEN (formalmente, o COPOM – Comitê de PolíticaMonetária). Estranho "mercado” formado só por um lado, o dos banqueiros.

4. Embora o BACEN seja oficialmente subordinado ao governo,as decisões dele e as demais da política econômica emanam dos concentradoresfinanceiros.

5. Assim, as taxas reais de juros dos títulos do Tesourosão, no Brasil, as mais altas do mundo, e as taxas dos juros pagos por empresasou por pessoas físicas correspondem a múltiplos daquelas.

6. Apesar da política econômica, a abundância de recursosnaturais e o aumento da população têm feito crescer a economia, apoiada porcrédito público. A demanda assim gerada suscita investimentos e a expansão docrédito privado.

7. O crédito tem crescido muito. Elevou-se em 20%, de 2009para 2010, atingindo R$ 1,7 trilhão, o equivalente a 46,6% do Produto InternoBruto. Essa expansão e as altíssimas taxas dos juros explicam o grande eininterrupto aumento dos lucros dos bancos.

8. Mas não é só isso: o BACEN propicia aos bancos cobrartaxas elevadas e excessivas por serviços bancários, em grande parte,processados pelos próprios clientes, dada a automação desses serviços.

9. Há três anos, quando o Banco Central baixou normas parapadronizar as tarifas, a receita destas já custeava as despesas dos bancos comadministração e funcionários. Desde então, conforme dados do InstitutoBrasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), o pacote dos principais serviçospassou a custar até 124% mais. As receitas com as tarifas subiram, em média,30% acima da inflação.

10. Os interessados nos juros elevados põem a grande mídia edemais veículos de comunicação a repetir, sem cessar, que os juros elevadosservem para conter a inflação. Já mostrei, em muitos artigos, que esse não é ummodo correto de reduzi-la.

11. A verdadeira "razão” da política financeira éproporcionar lucros excessivos aos bancos e aos demais aplicadores de capitalfinanceiro.

12. O primeiro e colossal prejuízo disso para o País são asdespesas do "serviço da dívida pública”, que somaram, desde 1988, mais de 6trilhões de reais. A maior parte dessa brutal sangria resultou dos própriosjuros capitalizados. Há outros imensos danos decorrentes das taxas de juros. Oespaço só permite falar de alguns.

13. Assim como aquelas despesas retiram recursos do Estadoque deveriam ser investidos nas infra-estruturas econômica (transportes,energia, telecomunicações, progresso tecnológico) e social (educação, saúde,previdência), também as pessoas físicas e jurídicas – que pagam juros a taxasainda mais elevadas que o Estado - deixam de produzir e consumir, e de gerarmercado para mais investimentos.

14. Outro efeito desastroso é a valorização excessiva doreal em função de as altas taxas de juros atraírem dólares captados no exteriora juros reais negativos. A continuação do processo faz que, além de osespeculadores ganharem com a diferença entre as taxas de juros, eles obtenham,às nossas custas, lucros adicionais com a diferença entre as taxas de câmbio naentrada e as na saída dos dólares.

15. Ao mesmo tempo, o Banco Central aplica a taxas muitobaixas os dólares das reservas cambiais, ademais em constante desvalorização.Para isso, a União paga juros a taxas altíssimas nos títulos públicos.

19. A sobrevalorização do real, cada vez maior, reduz aindamais a competitividade dos bens e serviços produzidos no Brasil: no mercadointerno, nas exportações e nas importações, o que acelera a desindustrializaçãodo País. Ademais, os juros altos pesam nos custos de produção.

[Autor de "Globalização versus Desenvolvimento”, editoraEscrituras
Fonte: Pátria Livre].

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