Rio de Janeiro, 05 de Maio de 2026

<i>Os Irmãos Grimm</i> emploga com ação e visual

Segunda, 10 de Outubro de 2005 às 07:19, por: CdB

 Um filme de grandes ambições, mas que não se mostra à altura delas, o longamente aguardado Os Irmãos Grimm, de Terry Gilliam, emerge como uma aventura folclórica que entretém o espectador de forma intermitente. O problema é que Gilliam não parece ter decidido que filme queria fazer.

Grimm varia de registro entre comédia pastelão do século 18, puro conto de fadas, comédia absurda ao estilo Monty Python e reflexões semi-sérias sobre o choque entre idéias racionalistas e crenças místicas.

Eles fazem falsos exorcismos, fingindo proteger os moradores de bruxas e seres encantados. Lideradas pelo autocrático esnobe General Delatombe (Jonathan Pryce), as autoridades francesas tomam conhecimento da farsa e prendem os irmãos.

Will e Jake são ameaçados de tortura e morte, mas depois recebem uma oferta que não podem rejeitar. Aparentemente, vigaristas ainda piores espalharam o terror num povoado alemão, onde crianças estão sumindo. Os moradores da vila atribuem os desaparecimentos à floresta encantada.

Os irmãos Grimm poderão escapar de seu destino horrível se descobrirem os responsáveis e devolverem as crianças aos pais. Para garantir que os dois cumpram o trato, o general envia para acompanhá-los um sádico torturador italiano chamado Cavaldi (Peter Stormare).

Para Will, as histórias do povo não passam de mentiras e superstições. Mas seu irmão Jake acredita em contos de fadas. Em outras palavras, há um choque entre os racionalistas napoleônicos encarnados por Delatombe e Will e os tradicionalistas inspirados pelas histórias folclóricas, representados por Jake.

Um elemento que vem perturbar ainda mais o delicado equilíbrio entre os irmãos é a bela Angelika (Lena Headey). Ela já perdeu duas irmãs, vítimas da maldição, mas, mesmo assim, reluta em ajudar os irmãos Grimm --exceto por levá-los até a floresta encantada para mostrar que é impossível anular a maldição.

Os irmãos Grimm não conseguem compreender a magia que enfrentam, mas o espectador contemporâneo não tem esse problema. Os efeitos especiais são transparentes demais.

Matt Damon e Heath Ledger só conseguem encarnar seus personagens de maneira convincente quando o filme já está na metade. Até lá, o interesse principal do espectador será Lena Headey, a figura mais carismática do filme.

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