Questões importantes que deveriam compor a pauta das discussões da Rio - a Conferência Mundial do Meio Ambiente, a ser realizada ano que vem no Rio de Janeiro - estão contempladas no artigo "Duplo impasse", de José Eli da Veiga, na Folha de São Paulo, hoje.
O artigo do professor dos Institutos de Relações Internacionais da USP (IRI/USP) indica que, apesar de a Rio 20 ter como principal missão discutir a questão climática e a preservação do meio ambiente no planeta, o encontro não terá forças, nem mandato, para mexer no "arcabouço institucional que enquadra o enfrentamento da questão climática".
Segundo Veiga, a comunidade internacional está "muito longe de assumir que só haverá sustentabilidade socioambiental com drástica redução das desigualdades". O professor critica, ainda, a falta de empenho dos países de impulsionarem durante a Convenção do Clima (1992) e no Protocolo de Kyoto (1997) as mudanças necessárias para nos libertarmos das matrizes energéticas de predominância fóssil.
Para Veiga, vivemos um processo de desaceleração da transição tecnológica para outras matrizes energéticas. Mas será impossível atingirmos em 40 anos o grau de descarbonização proposto na Conferência de Cancún de 2010. Para ele, o mundo encontra-se em uma situação fatalista: a "de que as desigualdades são ossos demasiadamente duros para que possam ser roídos". O problema se combina à "angústia de não se conseguirmos avançar na mitigação do efeito estufa".
"Precisamos de transformações globais e nacionais de caráter redistributivo", um dos maiores tabus que permeiam as discussões internacionais, aponta o professor. Um artigo para ler e meditar e, sobretudo, agir.