Por Antonio Lassance - Os Estados Unidos eram considerados a última fronteira onde o futebol ainda custava a ganhar adeptos. Há pelo menos uma década, já não são mais. Como diria o saudoso Jack Palance, "acredite se quiser", mas os Estados Unidos têm uma longa tradição no futebol. As mulheres praticam o esporte quase tanto quanto os homens, e nisso dão uma goleada no Brasil.
O esporte é muito famoso entre as mulheres, quase tanto quanto entre os homens
Os Estados Unidos eram considerados a última fronteira onde o futebol ainda custava a ganhar adeptos. Há pelo menos uma década, já não são mais.
Como diria o saudoso Jack Palance, "acredite se quiser", mas os Estados Unidos têm uma longa tradição no futebol. As mulheres praticam o esporte quase tanto quanto os homens, e nisso dão uma goleada no Brasil.
Até Pelé já foi jogador de seu campeonato profissional.
Não se aprende a jogar na rua, nem na várzea, mas na escola.
Pelo menos 1 em cada quatro jogadores dessa seleção consegue entender o treinador, Jürgen Klinsmann, em Alemão mesmo.
A CBF deles, a Associação de Futebol dos Estados Unidos (United States Foot Ball Association, hoje U.S. Soccer Federation), já completou um século de existência - foi reconhecida pela FIFA em 1913.
Eles estiveram na primeira Copa, em 1930, no Uruguai, e foram bem - ficaram em terceiro lugar.
Vieram até o Brasil, em 1950. Derrotaram a Inglaterra com um time amador. Acabaram eliminados pelo Chile.
Depois, veio o esquecimento. Ficaram exatos 40 anos com as barbas de molho, sem conseguir classificação para jogar em Copas, até o mundial de 1990, na Itália.
Nos anos de 1975 a 1977, Pelé foi contratado para ir lá dar uma força e aumentar a popularidade do esporte, e deu certo. Jogando pelo famoso New York Cosmos, Pelé lotava os estádios.
Mas as coisas só começaram a mudar mesmo quando o país fez sua Copa do Mundo, em 1994 - que deu o tetra ao Brasil.
O esporte é muito famoso entre as mulheres, quase tanto quanto entre os homens. De cada 10 praticantes, na modalidade amadora, 4 são mulheres - segundo dados da Fifa.
No Brasil, com Marta e tudo, mais duas medalhas de prata (Atenas, 2004 e Pequim, 2008) a proporção oficialmente registrada é ínfima (pouco mais de 1%) - certamente, há um problema de sub-registo, mas dificilmente chegaríamos perto das americanas.
Ainda hoje, os norte-americanos mantêm a tradição de oferecer bolsas de estudo em universidades para quem demonstre habilidades esportivas diferenciadas. O futebol se tornou uma dessas possibilidades disputadas e atrai tanto as mulheres quanto os homens.
Atrai também imigrantes. Dos 25 jogadores da seleção dos Estados Unidos, quase a metade é nascida em outros países ou é descendente de pais estrangeiros.
A maioria não é nem de latinos, mas de alemães. Há pelo menos seis jogadores nascidos na Alemanha ou de pais alemães.
Os Estados Unidos eram considerados a última fronteira onde o futebol ainda custava a ganhar adeptos. Há pelo menos uma década, já não são mais.
Antonio Lassance,é pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e professor de Ciência Política.
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