No domingo de 7 de Setembro foi realizado em todo Brasil o 9º Grito dos Excluídos, organizado pela CNBB em parceria com vários movimentos sociais e populares e outras organizações da sociedade civil. As manifestações se estenderam pelas principais cidades brasileiras, reunindo cerca de 2 milhões de pessoas, em 1,5 mil localidades do país. Em alguns lugares a organização do Grito dos Excluídos costuma procurar os organizadores dos desfiles militares para negociar um lugar plausível para a manifestação popular. Evidentemente que não é negado o direito de os excluídos desfilarem, mas o que sobra é um espaço após o bloco dos cavalos, especialmente no sul, onde os CTGs costumam desfilar. Tudo bem que a "gauchada" ande a cavalo no dia da Pátria exibindo seu patriotismo, mas dar para cidadãos e trabalhadores apenas um lugar desprestigiado, cheio de estrumes de cavalos é uma falta de respeito e exclusão mesmo. Ainda bem que em Brasília o presidente Lula quis dar uma característica mais popular às celebrações de Sete de Setembro. Mas ainda está muito longe de ser um momento de expressão da vitalidade e grandeza da Pátria brasileira, que mesmo no seu dia de festa escancara sua realidade de miséria e exclusão.
Mas o Sete de Setembro, dia de nossa Pátria, nos ensina que temos quatro tipos de patriotismos. Um deles é o patriotismo de fardas e armas de guerra, como se o único jeito de servir a Pátria é com armas nas mãos. Este é um patriotismo arcaico e vergonhoso, porque a humanidade já descobriu que a guerra é a pior alternativa para se construir a autonomia e o respeito entre os povos e nações. Outro é o patriotismo de "quatro patas", expressado no desfile dos cavalos, onde a exibição não é dos cavaleiros ou das amazonas, mas dos animais. É um patriotismo saudosista, que tem um pouco de importância enquanto tradição, mas não representa os valores patrióticos que precisam ser cultivados em nosso tempo. As cavalgadas nos dão a idéia de guerras e revoluções sangrentas, portanto, não alimentam o sonho de paz, de uma relação amistosa entre os povos. E ainda representam os latifúndios, as estâncias escravistas, onde o patrão é rei e o peão leva vida de gado, sempre a cabresto.
Um terceiro tipo de patriotismo expresso no dia 7 de Setembro é o da platéia, aquele pessoal que assiste aos desfiles militares, que gosta de ver milico e cavalo marchando. Este patriotismo passivo, alimentado por façanhas de guerras e valentias, não é capaz de defender a soberania do nosso país. Eles já são fãs dos militares e dos cavalos, porque não querem sujar suas mãos na defesa da Pátria. O último modelo de patriotismo a desfilar é o dos excluídos e das pessoas que apoiam suas lutas. Este, porém, é o verdadeiro patriotismo. Estes vão garantir que a Pátria seja verdadeiramente livre e soberana, poderão converter os alienados das arquibancadas a se unirem na defesa do Brasil. A Bíblia Sagrada diz que os últimos serão os primeiros e são bem-aventurados porque são pobres, mansos, aflitos, famintos e sedentos de pão e de justiça; são misericordiosos e tem o coração puro, promovem a paz, defendem a justiça e por acusa dela são perseguidos. Estes foram mencionados por Jesus de Nazaré como sendo os merecedores do Reino de Deus, que começa aqui e agora, estes vão herdar a terra e serão saciados (cf. Mt 5,1-12). Pois, o "Projeto de Deus" expresso no Cântico de Maria de Nazaré, a mãe de Jesus, é de dispersar os orgulhosos, derrubar do trono os poderosos e exaltar os humildes; encher de bens os famintos e despedir os ricos de mãos vazias. (cf. Lc 2,46-56). Os excluídos do dia da Pátria são merecedores da Pátria livre.
Frei Pilato Pereira - Teologia/ESTEF - pilato@terra.com.br
Rio de Janeiro, 16 de Agosto de 2026
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