Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Os estúdios escolhem seus caminhos

Terça, 10 de Fevereiro de 2004 às 16:50, por: CdB

Os prêmios da Academia se aproximam, e os estúdios de dois filmes com diversas indicações adotaram abordagens bem distintas para o lançamento de seus DVDs.    

O filme brasileiro "Cidade de Deus" recebeu indicações para o seu diretor, Fernando Meirelles, bem como por fotografia, roteiro adaptado e edição. A Miramax, que lançou o filme nos cinemas há mais de um ano, espera evidentemente vender mais alguns ingressos; ela está revivendo a exibição nas salas de cinema. A Buena Vista Home Entertainment deveria lançar o DVD em 17 de fevereiro, mas adiou o lançamento na semana passada e o remarcou para 8 de junho.

Com "Encontros e Desencontros", que também tem quatro indicações ao Oscar, a Universal e a Focus Films estão tentando obter sucesso das duas maneiras. Eles expandiram sua temporada no cinema para quase 600 telas, de cerca de 350; isso é considerado muito incomum, pois o filme já saiu em DVD, em 3 de fevereiro. Geralmente, um lançamento em vídeo mata o que sobrou da exibição nas salas de cinema.

"O salto do Oscar" - aquela rica oportunidade promocional que até as nomeações concedem - provocaram as duas medidas, mas as estratégias levantaram questões. Será que adiar "Cidade de Deus" em DVD é um bom movimento para os negócios, já que os estúdios faturam mais com um grande lançamento em DVD do que nos cinemas quando um cinema está no final de sua temporada? Por quanto tempo "Encontros e Desencontros" pode coexistir no DVD e nos cinemas? A temporada expandida nos cinemas diminui a venda do filme em DVD?

Em uma entrevista, Scott Hettrick, editor da revista Video Business, disse que os estúdios têm um lucro de 65% a 85% das vendas de DVDs e 50%, no máximo, nos cinemas (e isso definha para 20% a 30% no final da temporada de exibição). "Se eles vão capitalizar sobre algo, eles dizem, 'Vamos para o DVD, pois é lá que o dinheiro grosso está'", ele declarou.

Durante o fim de semana, "Cidade de Deus" estava em exibição em 172 salas em todo o país. "A Miramax sempre maximizou o final no cinema", disse Hettrick, acrescentando que o estúdio atrasou o lançamento em vídeo de concorrentes ao Oscar no passado.

Matthew Hiltzig, porta-voz da Miramax, explicou que o filme foi financiado pela Miramax e sempre foi um projeto estimado por Harvey Weinstein, co-presidente da companhia. "Geralmente nós esperamos que as pessoas sempre vejam os filmes nos cinemas, uma experiência bem melhor", afirmou Hiltzig. "Nós estávamos adiando o DVD por quase um ano esperando que a produção recebesse reconhecimento, e quando isso aconteceu, nós adiamos isso um pouco mais".

Expressando uma visão diferente, se não contraditória, Craig Kornblau, presidente da Universal Studios Home Video, disse que, normalmente, com os DVDs, 60% dos compradores de discos não viram o filme nos cinemas. O DVD de "Encontros e Desencontros" foi anunciado em dezembro, quando se esperava que a produção ganhasse algum prêmio do Globo de Ouro em 25 de janeiro, o que se confirmou, e que ela receberia algumas indicações ao Oscar dois dias depois.

Kornblau afirmou que desde segunda-feira, o DVD vendera cerca de um milhão de cópias, um lançamento muito forte. E durante os dois primeiros dias em que o DVD esteve disponível, "Encontros de Desencontros" não teve uma queda de bilheteria acentuada. "Parece que eles podem coexistir", sentenciou Kornblau. Resta saber o quanto isso durará. "Nós não temos certeza se nós temos um título especial sob uma circunstância especial", ele especulou, "ou se o modelo de lançamento está se ajustando".

Hettrick concordou que "Encontros e Desencontros" poderia ser um caso especial. O filme é atraente para pessoas mais velhas, ele explicou, "pessoas que querem ir ao cinema independente de qualquer coisa, provavelmente apreciadores de arte e de pequenas produções independentes que gostam de vê-las nas telas de cinema".

"Então, ao mesmo tempo, há enormes números de pesso

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