Colunista de alguns dos principais jornais do país - O Globo, Folha de S.Paulo - com colunas publicadas às 4ªs feiras e aos domingos, Elio Gaspari há meses vem criticando as propostas de reforma politica. Nem sempre tem razão.
Não tem, por exemplo, ao afirmar em sua colunca de ontem que a matéria tramita quase em segredo.
Não é fato. Quem mantém a matéria quase secreta é a mídia, jornalista Elio Gaspari! A reforma politica tem sido discutida como todas as outras questões, de forma transparente e pública na Câmara.
Como foi por duas vezes nos últimos anos no Senado, que aprovou, em ambas, suas próprias e principais propostas, entre elas o fim das coligações proporcionais (como, aliás, defende Gaspari).
Não há golpe algum na reforma política
Nas proposições e tramitação da reforma política não há golpe algum, nem como estabelecer paralelo com a ditadura, como bem sabe o jornalista, que desfrutou da amizade do general ditador Ernesto Geisel e teve acesso exclusivo a arquivos do regime, escrevendo uma obra clássica sobre ele, a trilogia A Ditadura Envergonhada, A Ditadura Escancarada, A Ditadura Encurralada.
Na reforma política não tem nenhum Pacote de Abril (Geisel fechou o Congresso e passou a legislar sozinho) e nada será aprovado contra a Constituição - aliás, aí, reside outro equívoco na exposição do jornalista em seu artigo de ontem.
A Constituição exige 2/3 de votos apenas para sua própria reforma, como o fim do voto obrigatório ou do voto proporcional e não para o voto em lista ou o financiamento público de campnhas eleitorais, matérias típicas da legislação ordinária.
Financiamento privado e voto uninominal, irmãos do abuso
A base do nosso atual sistema eleitoral é o financiamento privado de campanha - das empresas majoritariamente - e o voto uninominal, que são siamesas e irmãs da corrupção e do uso e abuso do poder econômico.
O financiamento público e o voto distrital misto é a saída mais democrática e constitucional para a crise que vivemos de um modelo falido e único no mundo. Uma jabuticaba que Elio Gaspari defende sem apresentar alternativas.
Os equívocos de um jornalista sobre a reforma política
Segunda, 22 de Agosto de 2011 às 08:06, por: CdB