O ex-presidente nacional do PT e ex-ministro do governo Lula, José Dirceu, está preocupado com os rumos políticos do PCdoB. Em mais um texto no seu blog, na semana passada, ele voltou a fazer comentários críticos sobre a postura tática dos comunistas. De forma pouco elegante, entretanto, ele cometeu novamente graves injustiças e imprecisões históricas. Bastante ambíguo, Dirceu trata o PCdoB como um aliado importante, prega a “repactuação” entre os dois partidos e afirma que ela é essencial para remontar o “núcleo de esquerda” do atual governo. Mas, ao mesmo tempo, o que prevalece no seu texto é a desqualificação de um aliado que desde 1989 atuou em relação presidente Lula e ao PT de forma leal, contribuindo com o melhor do seu esforço.
Desta vez, Dirceu expressa seus temores exagerados com a decisão dos comunistas de participar do Bloco de Esquerda e de procurar construir uma nova alternativa sindical fora da CUT. No que se refere à questão partidária, transparece no texto a lógica hegemonista. Ele afirma que o fato do PCdoB deixar de priorizar as alianças com o PT “não que dizer muita coisa... O PCdoB foi muito mal votado e elegeu apenas 12 deputados, a maioria em coligações com o PT, e um senador, com total apoio do PT, sem o que não teria sido eleito”. De maneira grosseira e inverídica, ele ainda insinua que o motivo de tal “rompimento” (sendo que em nenhum momento o PCdoB se referiu a qualquer rompimento) é a reclamação por maior espaço no governo, “mas, se analisarmos os cargos ocupados pelo PCdoB, vamos ver que a legenda está devidamente representada”.
Intrigas e soberba
O texto parece querer estimular intrigas na base de apoio do governo Lula. De forma precipitada, José Dirceu vaticina que esta decisão “enfraquece ou quase impossibilita a aliança para 2010” e representaria o apoio “inevitável à candidatura de Ciro Gomes, contraposta ao PT... Isso sem falar na fragilidade do bloquinho PSB, PCdoB, PDT, PMN, PHS e PRB”. Ele também deturpa a posição do PCdoB e, no fundo, recrimina o partido por ter uma linha própria de apoio ao governo, ao dizer: “Na verdade, o PCdoB flerta com a política de apoiar o governo e fazer oposição à política econômica e disputar com o PT e a CUT”. Para José Dirceu, essa “decisão tão radical” não se justificaria, já que, nas coligações eleitorais, “o PCdoB sempre foi favorecido, e muito, mesmo em detrimento dos petistas”.Quanta generosidade!?
Dirceu está viciado na lógica eleitoreira. O PCdoB apóia Lula desde a eleição de 1989, quando muitos petistas nem acreditavam na sua viabilidade – conforme confissão pública do próprio presidente. Durante a grave crise de 2005-2006, quando muitos líderes petistas fugiram dos embates políticos – “nem queriam aparecer na foto ao meu lado”, desabafou o atual presidente –, os comunistas estiveram na linha de frente do enfrentamento à direita golpista. A sua lógica não foi eleitoral, mas sim política, tendo como objetivo maior evitar o retrocesso e garantir avanços na acumulação de forças dos setores populares. Este fato, inquestionável, foi motivo de reconhecimento e elogios de muitos petistas não sectários e nem exclusivistas.
Do ponto de vista meramente eleitoral, o PCdoB, que conseguiu eleger 13 deputados federais (e não 12) e um senador, pode até ter sofrido certo prejuízo ao se aliar preferencialmente a um partido satanizado por motivos éticos. Mas nem por isso vacilou em apoiar a reeleição de Lula e, como sempre, de muitos candidatos petistas aos governos estaduais e ao senado. Na prática e não há retórica, a militância comunista fez campanha, ajudou a eleger governadores e senadores do PT. A exemplo dos últimos 20 anos, o PCdoB divulgou o nome e o numero do PT, sem lançar candidatos majoritários, e suou a camisa em todas as campanhas presidenciais de Lula. Ao invés de ficar preso à matemática eleitoreira, o ex-presidente deste partido deveria, isto sim, valorizar o empenho