O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), acaba de atrair o PMDB paranaense para sua base de apoio e passa a contar, agora, com 41 dos 54 deputados do Estado. Estava demorando, mas aconteceu, assim, mais um exemplo prático da hipocrisia do discurso tucano contra o sistema de governo de coalizão e alianças, a formação das chamadas bases do governo adotada no Brasil em Brasília, nos Estados e nos municípios.
Essa montagem de bases de governos é uma consequência do sistema eleitoral que adotamos, de voto uninominal com financiamento privado de campanhas eleitorais. Ele leva à dispersão, ao enfraquecimento dos partidos, a uma influência cada vez maior do poder econômico nas eleições, ao caixa dois e a todas as suas consequências.
Coalizões funcionam assim em todo Brasil, e em qualquer parte do mundo onde haja governos e coligações partidárias. Mas, aqui, parte da mídia e especialmente seus articulistas, há meses vem fazendo uma campanha contra o governo Dilma e o PT, atacando as alianças e o governo de coalizão federal, taxando-os de fisiológicos e fontes da corrupção.
PT continua coerente e fiel ao seu programa
Querem imputar fisiologismo e corrupção ao governo federal, à presidenta da República e ao PT e que isto seria decorrência das alianças e da coalizão. As acusações de troca de cargos e de compra de apoio são generalizadas contra o governo federal, mas não fazem o mesmo em relação a São Paulo, Minas Gerais e agora o Paraná, que repetem o mesmo modelo e todos de oposição.
Assim, apesar dos protestos do ex-governador e senador Roberto Requião (PMDB) - que junto com o PT continua na oposição - o governador Beto Richa acaba de conseguir o apoio do PMDB seu arqui-inimigo nos últimos 12 anos.
Nossa mídia não só não o criticou como ainda apresnta o fato como uma derrota do PT que agora, segundo ela, ficará isolado. Isolado, mas coerente e fiel ao seu programa, sem que isso signifique não dialogar ou não apoiar iniciativas legitimas e de direito do governo Richa na sua relação inclusive com a administração Dilma Rousseff.
Os dois pesos e duas medidas com que a mídia pauta seu noticiário
Terça, 13 de Setembro de 2011 às 04:34, por: CdB