Por Maria Fernanda Arruda - Foi um dos sucesso apresentado por Jô Soares no início do anos 1980. Sem citar nomes nem identificar pessoas e com muito humor, ele criticava o cenário político nacional.
O "corrupto" já existia. Mas, sejamos realistas. Jamais, em tempo algum, esse bicho maligno proliferou tanto e foi tão prestigiado quanto agora
Por Maria Fernanda Arruda - do Rio de Janeiro:
Foi um dos sucesso apresentado por Jô Soares no início do anos 1980. Sem citar nomes nem identificar pessoas e com muito humor, ele criticava o cenário político nacional. Na pele do “exportador”, Jô deu vida ao bichinho “corrupto”, sempre preso numa pequena gaiola de passarinho, e que se assanhava à simples menção de palavras como “banco”, “dinheiro”, “dólares”, ameaçando com bicadas quem se aproximasse da gaiola.
Maria Fernanda Arruda Dos 21 parlamentares indicados analisar a denúncia contra a presidente Dilma Rousseff (PT) mais de um terço é alvo de investigações
Vale a pena lembrar então que não foi o PT que inventou. O "corrupto" já existia. Mas, sejamos realistas. Jamais, em tempo algum, esse bicho maligno proliferou tanto e foi tão prestigiado quanto agora, nessa gaiola das loucas em que se transformou o governo provisório de Michel Temer, o "corrupto fantoche", que pretende com o mandonismo dos coronéis do PMDB, entregar o Brasil aos executivos do PSDB? Corrupto pai-de-todos, é sabidamente Eduardo Cunha. Alguns dos pupilos do 'interino':
José Serra: um dos fundadores do PSDB em 1988. No governo FHC foi Ministro da Saúde. Como Ministro do Planejamento, teve papel fundamental para execução do programa de privatização do Estado. No Ministério da Saúde, envolveu-se em fraudes e corrupção que provocaram a CPI dos "sanguessugas", escandalosamente arquivada. No exercício desses cargos, tornou-se um homem milionário, tendo a filha como testa-de-ferro ostensiva.
Envolvido em todos os escândalos patrocinados pelo governo Geraldo Alckmin. O STF, recentemente, aceitou recurso da Procuradoria-Geral da República em março deste ano e autorizou a retomada de duas ações de reparação de danos por improbidade administrativa relativas ao período em que foi ministro de FHC. O arquivamento dessas ações foi mais uma armação de Gilmar Mendes. As ações questionam a assistência financeira no valor de R$ 2,97 bilhões do Banco Central aos bancos Econômico e Bamerindus, em 1994, dentro do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer), que socorreu bancos em dificuldades. No ano passado, o Conselho Superior do Ministério Público do Estado homologou o arquivamento de investigação sobre suposta omissão de Serra no combate ao cartel metroferroviário que vem desde o governo Mario Covas, e que, segundo estimativas do Ministério Público, pode ter dado prejuízos de mais de R$ 800 milhões aos cofres públicos.
Eliseu Padilha: na Casa Civil, apelidado de Eliseu Quadrilha por seus desafetos, é um dos principais articuladores de Michel Temer. Foi deputado federal, ministro dos Transportes no governo FHC e min. da Aviação Civil do governo Dilma. Em 2014, ficou livre de um inquérito por peculato a que respondia no STF, por supostamente contratar uma funcionária fantasma em seu gabinete na Câmara. Padilha também foi indiciado em 2011 por crime em licitações e formação de quadrilha em um inquérito referente a supostas irregularidades em obras de infraestrutura no Rio Grande do Sul.
Geddel Vieira Lima: o baiano Geddel (PMDB), Ministro-Chefe da Secretaria de Governo, nomeado pelo interino Michel Temer (PMDB), teve as citações da Lava Jato em mensagens de texto com Léo Pinheiro da OAS, migradas das mãos do juiz Sério Moro para o Supremo Tribunal Federal (STF), Jardim. A mudança foi realizada por conta do foro privilegiado que mantem . Paulo Pimenta (PT-RS) encaminhou representação ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e solicitou instauração de procedimento investigatório sobre a nomeação dos novos ministros de Michel Temer. Pedindo suspensão da nomeação de ministros investigados pela justiça e não possuíam foro privilegiado. Os dois indicados que seriam diretamente atingidos pelo pedido do deputado seriam o baiano Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) e Eduardo Alves (Turismo), investigados na Operação Lava Jato.
Alexandre de Moraes (PSDB-SP): é advogado e jurista. Até virar ministro, era secretário da Segurança Pública da atual gestão Alckmin. Logo antes de assumir, declarou que protestos contra o impeachment de Dilma eram “atos de guerrilha” e não manifestações. Sua gestão foi criticada por reprimir violentamente tais protestos, como os :Movimento Passe Livre, contra o aumento de tarifas do transporte público, e dos estudantes secundaristas,reivindicando ensino público de qualidade. Em 2015, durante a sua gestão, a polícia paulista foi responsável por uma em cada quatro pessoas assassinadas na cidade de São Paulo, a maior taxa já registrada, segundo levantamento do SPTV. Os dados indicaram ainda que as mortes classificadas como confronto entre suspeitos e policiais militares de folga aumentaram 61%.
Maurício Quintella: em 24 de maio de 2010 a Justiça de Alagoas determinou o bloqueio de bens do deputado Quintella, como do ex-governador e pré-candidato ao governo de Alagoas, Ronaldo Lessa (PDT), do ex-governador Luiz Abílio de Souza (falecido em abril de 2010, e que foi eleito como vice-governador de Lessa em 2002), e de mais cinco ex-integrantes do governo, a maioria da Secretaria de Estado da Fazenda. Todos são réus em um processo que analisa um desvio de R$ 52 milhões de recursos repassados pelo governo federal para a área de educação e foram denunciados por meio de uma ação civil pública do Ministério Público Estadual (MPE), em novembro de 2008. O bloqueio faz parte da primeira parte da ação, que pede ainda o ressarcimento dos valores aos cofres públicos e a inelegibilidade dos acusados.
Raul Jungmann (PPS-PE): o deputado federal é um dos citados na lista da Odebrecht, apreendida pela Polícia Federal na sede da construtora em março durante a 23ª fase da Lava Jato. Chegou a ser investigado por fraude em licitação, peculato e corrupção em contratos de publicidade da época em que foi ministro do Desenvolvimento Agrário, entre 1998 e 2001. A Justiça Federal arquivou o inquérito. Extremamente crítico ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Jungmann foi o articulador das questões fundiárias durante os governos FHC e chefiou o Incra, o Ministério Extraordinário de Política Fundiária e depois o Ministério do Desenvolvimento Agrário.
Blairo Maggi: é um dos maiores produtores de soja do mundo. Acusado de desmatar deliberadamente a Amazônia, em 2006 ganhou o Troféu Motosserra de Ouro, do Greenpeace. Maggi foi relator de uma Proposta de Emenda Constitucional que retira a exigência de licenciamento ambiental para a realização de obras: o texto diz que nenhuma obra poderá ser suspensa ou cancelada se o próprio empreendedor apresentar um Estudo de Impacto Ambiental.
Sérgio Etchegoyen: general da ativa do exército. Em 2014, chamou o relatório da Comissão Nacional da Verdade de “leviano”, por ter o nome do pai, general Leo Guedes Etchegoyen, morto em 2003, incluído na lista de 377 agentes do Estado considerados responsáveis por crimes na época da ditadura.
Cassio Cunha Lima: cassado pelo Tre da Paraíba,em 30 de julho de 2007 por suposto uso de um programa social em benefício de sua candidatura à reeleição durante o período eleitoral de 2006. Dois dias depois, o Tribunal Superior Eleitoral concede uma liminar que lhe garante no cargo de governador até o julgamento final do processo no TSE. Em 10 de dezembro de 2007, Cássio é novamente cassado pelo TRE por suposto uso eleitoreiro do Jornal estatal "A União" também durante a campanha eleitoral de 2006. Através de uma nova liminar, consegue permanecer no cargo.
Em 2008 tem a sua cassação pelo "Caso FAC" no TRE, confirmada no TSE em novembro de 2008. Apesar disso, consegue uma nova medida cautelar, por cinco votos a dois, tendo assim tem o direito de ficar no poder até que saia o resultado final do processo. Em 2009: Após julgamento de embargos impetrados ainda em 2008, tem seu mandato cassado em definitivo no dia 17 de fevereiro de 2009, assumindo em seu lugar o segundo colocado nas eleições de 2006, o senador José Maranhão. Em 2010 elegeu-se senador,mas teve o registro de sua candidatura negado pelo TSE, não podendo assumir. Em 23 de março de 2011 com a decisão do STF de não retroagir a Lei Ficha Limpa fazendo a mesma valer somente a partir das eleições municipais de 2012, tem o direito de assumir o Senado Federal.
Ana Amélia: senadora gaúcha(PP) defensora do impedimento de Dilma Rousseff. Omitiu propriedade de bens móveis e imóveis na declaração feita à Justiça Eleitoral, nas eleições de 2014. A nota diz que a parlamentar "é ruralista: tentou fugir do estigma de ruralista escondendo a sua fazenda, mas a verdade é que é dona de 680 hectares de terras em Goiás e cerca de 600 cabeças de gado e que se tornou, ao longo dos anos, porta-voz dos interesses do agronegócio e da bancada ruralista".
Simone Tebet: com a sua falta de pudor, fantasia um saber jurídico que não possui. Em fevereiro, o juiz federal Leonel Ferreira determinou o bloqueio de seus bens em função de irregularidades na reforma do Balneário de Três Lagoas, uma atração turística feita quando ela era prefeita. Segundo o Ministério Público Federal houve desvio de recursos públicos para financiar sua campanha eleitoral, veja só. A decisão também atinge alguns de seus ex-secretários municipais e a empresa que venceu a licitação e realizou a obra.
Ronaldo Caiado: sempre em busca de uma cabeça que pense por ele, encontrou disponível a de Simone Tebet. Criador da UDR, totem da direita nazi-fascista, é membro integrado no seio de uma família exploradora de trabalho escravo. Tem dom excelente para apresentador de programa policial de fim de noite na TV.
Dário Berger(PMDB-SC): senador com mais ocorrências na Justiça, defendeu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. De acordo com o site Excelências, mantido pela Transparência Brasil, Berger tem 28 ocorrências na Justiça, desde que era prefeito da cidade de São José, em seu estado de origem.
Zezé Perrella: em 2013, seu nome esteve vinculado à notícia de apreensão de 445kg de pasta base de cocaína. A droga estava em um helicóptero de propriedade da família de Zezé, quando aterrissava em uma fazenda em Afonso Cláudio, no Espírito Santo. Durante as investigações, tanto Perrela quanto seu filho, deputado estadual Gustavo Perrela, foram inocentados, tendo inclusive o helicóptero devolvido (o que, em teoria, vai contra o disposto no art. 62 da Lei Antidrogas ). Os quatro presos em flagrante durante a operação da Polícia Federal ficaram seis meses na prisão e foram libertados. Hoje, o piloto Alexandre José de Oliveira Júnior exerce normalmente sua profissão, sendo proprietário de três helicópteros.
Fernando Bezerra Coelho: Teori Zavascki autorizou a abertura de inquérito para apurar suspeitas contra o senador (PSB-PE), por suposto envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras investigado pela Operação Lava Jato. A decisão atende a pedido feito nesta quinta pela Procuradoria Geral da República (PGR). O senador nega ter cometido irregularidades. Com Bezerra Coelho, aumentou para 50 o número de pessoas alvos de inquéritos relacionados à Lava Jato no âmbito do STF.
Dos 21 parlamentares indicados analisar a denúncia contra a presidente Dilma Rousseff (PT), acolhida na Câmara Federal no último dia 17, mais de um terço é alvo de investigações. Indiciados no lava-jato: Mendonça C Filho - Bruno Araujo - Henrique Alves. Condenados por improbidade administrativa: Gilberto Kassab- Ricardo Barros. Em investigação: Helder Barbalho.
Como dialogar com Ali-Michel-Babá e os quarenta ladrões? O que realmente dá sentido na defesa da integridade da Presidenta eleita, Dilma Rousseff, é a necessidade de explicar ao povo e provar as proporções do crime que estão cometendo. Essa corja interina, cairá. Vamos, todos e todas enfrentá-los sem concessões, sem arregos e sem alianças.
Maria Fernanda Arruda é escritora, midiativista e colunista do Correio do Brasil, sempre às sextas-feiras.
Tags:
Relacionados
Edições digital e impressa
Utilizamos cookies e outras tecnologias. Ao continuar navegando você concorda com nossa política de privacidade.